O Secretário-Geral do PS manifestou esta quinta-feira forte preocupação com o agravamento do custo de vida e com os efeitos que uma nova subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu poderá ter nos encargos suportados pelas famílias portuguesas, advertindo para o peso crescente das prestações da casa e apelando ao executivo de Luís Montenegro para que tenha em consideração as propostas apresentadas pelos socialistas.
Durante uma visita ao porto de Setúbal, integrada na Rota pela Economia do Mar, José Luís Carneiro sublinhou que a conjuntura internacional continua a exercer uma forte pressão sobre a economia europeia e sobre os orçamentos familiares, num contexto marcado pela persistência da inflação e pelos efeitos do conflito no Médio Oriente nos preços da energia e de outros bens essenciais.
“Hoje, o Banco Central Europeu vai decidir sobre o aumento das taxas de juro e isso significa que, pela primeira vez, está a ver de modo muito preocupado a inflação e os efeitos da inflação na vida das pessoas”, apontou o líder socialista, vincando que esta é uma realidade que “deve preocupar todos os portugueses”.
José Luís Carneiro destacou em particular as consequências que os sucessivos aumentos dos juros têm vindo a provocar nas prestações do crédito à habitação, recordando que muitos agregados familiares enfrentam já um agravamento contínuo das suas responsabilidades financeiras.
Neste sentido, salientou que os portugueses se confrontam com um aumento da prestação da habitação “há oito meses consecutivos”, advertindo para as dificuldades acrescidas que esta situação representa para milhares de famílias, sobretudo para os jovens que procuram construir um projeto de vida autónomo.
Governo da AD deve escutar propostas do PS
Assim, perante o agravamento das condições económicas, o Secretário-Geral socialista renovou o apelo ao Governo da AD para que adote medidas capazes de mitigar os impactos da inflação e proteger o poder de compra dos portugueses.
Na perspetiva do líder do PS, a evolução dos preços dos produtos essenciais e da energia, conjugada com a pressão crescente dos encargos com a habitação, exige uma resposta política determinada e sensível às dificuldades sentidas pela população.
“O aumento do custo de vida com os bens alimentares essenciais, com os combustíveis, a eletricidade e o gás”, a par do “aumento expectável consecutivo com os juros dos empréstimos à habitação”, justificam que o Governo “pare, escute e olhe para as propostas do PS”, enfatizou.
Os socialistas têm vindo a insistir na necessidade de reforçar os mecanismos de proteção das famílias perante o aumento dos preços e de limitar os efeitos económicos decorrentes da instabilidade internacional, defendendo soluções que permitam preservar rendimentos e assegurar maior estabilidade aos agregados mais expostos ao agravamento do custo de vida.