“O Governo transformou uma crise geopolítica numa oportunidade fiscal. O Estado não pode ser o único que ganha quando todos os outros perdem”, repudiou o secretário nacional André Moz Caldas, em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa.
“Mas há uma coisa mais grave, uma coisa que o Governo tem omitido e escondido dos portugueses. O Governo da AD aumentou os impostos sobre os combustíveis e mantém esse aumento hoje ao fim de cinco meses de agravamento dos preços”, apontou o dirigente socialista.
O Governo de Luís Montenegro, criticou ainda, “recusa alterar as suas projeções para a inflação” e “limita-se a esperar, passivamente, que o conflito no Médio Oriente termine e que o problema se resolva por si”.
Recordando que os socialistas já levaram ao Parlamento, mais do que uma vez, propostas para reduzir os impostos sobre os combustíveis, que foram rejeitadas, Moz Caldas defendeu que “é ao Governo que cabe agir neste momento”.
“O PS não exclui, contudo, retomar iniciativas na frente parlamentar se o Governo continuar a não responder aos problemas do aumento do custo de vida com que os portugueses e as portuguesas se confrontam”, disse.
O membro da direção do PS acentuou que “o Governo limita-se a não agir, mantém os impostos que os portugueses pagam por litro exatamente no mesmo valor do início da crise em março deste ano”.
“Hoje, os portugueses pagam mais cerca de 6,2 cêntimos de impostos por cada litro de gasolina e mais 9,7 cêntimos de impostos por cada litro de gasóleo do que pagavam quando este Governo iniciou funções em 2024”, contabilizou, reiterando que “os portugueses estão pior, mas o Governo está a ganhar cada vez mais dinheiro com os impostos sobre os combustíveis”.
Acesso de membros do Ministério da Educação aos exames nacionais exige explicação
Na conferência de imprensa, André Moz Caldas exigiu também esclarecimentos ao Governo sobre o noticiado acesso de membros do Ministério da Educação aos exames nacionais, que pode pôr em causa a “credibilidade do processo”, considerando que, se esses esclarecimentos não forem prestados de forma cabal, será “cada vez mais inevitável” um inquérito parlamentar.
“Quanto às questões dos exames, aquilo que veio a público ontem numa reportagem de um canal de televisão deixa-nos particularmente alarmados. Ao que parece, o senhor ministro, o senhor secretário de Estado e o pessoal dos respetivos gabinetes tiveram acesso ao espaço em que estão concentradas as provas de exames”, observou.
O dirigente socialista salientou que, face à gravidade do que foi noticiado, o PS aguarda por um “desmentido da parte do Ministério da Educação” em relação ao que foi noticiado na reportagem, considerando que se isso não acontecer “está irremediavelmente quebrada à confiança no processo de avaliação dos exames”.
“Precisamos de saber se todo este pessoal assinou declarações relativamente aos impedimentos, como é obrigatório para todos aqueles que manuseiam as provas de exames nacionais e, acima de tudo, é preciso compreender por que razão é que foram violadas as regras de confidencialidade que estão associadas ao processo, uma vez que este pessoal não está legalmente habilitado para contactar com estas provas”, vincou.
Para André Moz Caldas, “não está em causa apenas se os exames vão estar corrigidos a tempo ou não”, mas “toda a credibilidade do processo de correção de exames e toda a transparência”.
“Por isso é cada vez mais inevitável que o PS se aproxime do acompanhamento de medidas de inquérito parlamentar se o Governo não responder cabalmente a todas as inquietações que as famílias portuguesas, os estudantes e os professores neste momento estão a viver”, enfatizou.