O Secretário-Geral do PS defendeu, esta segunda-feira, em Matosinhos, que o futuro da economia portuguesa deve ser construído em diálogo com as empresas, os setores produtivos e os agentes do desenvolvimento económico, numa abordagem orientada para os desafios das próximas décadas.
Durante uma reunião com associações empresariais do distrito do Porto, José Luís Carneiro explicou que o partido está a trabalhar numa matriz económica que deverá orientar a sua abordagem para os próximos anos.
“Hoje, esta sessão destina-se a validar uma matriz para uma economia que seja mais produtiva, que pague melhores salários, e que fixe os nossos ativos mais proeminentes em termos nacionais”, afirmou, salientando que este processo passa necessariamente por auscultar quem conhece diretamente a realidade económica do país.
“Vamos ouvir representantes das associações empresariais, dos diferentes setores do desenvolvimento”, disse, adiantando que, depois de validada, esta matriz constituirá a abordagem do Partido Socialista “para a economia até 2035, tendo como horizonte Portugal 2050”.
Para José Luís Carneiro, uma nova estratégia económica deve concentrar-se nos fatores que determinam a capacidade de Portugal competir e garantir uma melhoria efetiva das condições de vida.
“Estamos a construir uma solução para uma nova economia no país”, vincou, apontando como prioridades “os fatores da produtividade, na inovação tecnológica, no conhecimento, na articulação dos recursos territoriais com a base produtiva”.
A competitividade das empresas portuguesas exige, contudo, respostas concretas aos fatores que condicionam a produção, com o líder socialista a destacar, em particular, a evolução dos custos energéticos suportados pela indústria.
Esses custos, alertou, “aumentaram mais de 15 por cento, na comparação de julho de 2026 com o mês homólogo de 2025”.
Perante este cenário, José Luís Carneiro defende que “a política pública deve acompanhar os fatores de competitividade da economia portuguesa, nomeadamente na competição com aqueles que, no espaço europeu, estão mais próximos de nós e têm custos energéticos mais baixos”.
A iniciativa socialista em Matosinhos insere-se, assim, num processo de construção de propostas económicas assente no contacto direto com os setores produtivos.
Para o PS, a definição de uma estratégia para o país não pode resultar apenas de uma visão política pré-formatada, devendo partir do conhecimento acumulado no terreno e das necessidades concretas da economia portuguesa.
É essa capacidade de ouvir, aprender e transformar conhecimento em propostas que José Luís Carneiro considera essencial para quem se prepara para governar o país.
PS reivindica propostas já apresentadas para reduzir IVA dos combustíveis
Neste contexto, o Secretário-Geral voltou a sublinhar que o PS foi o primeiro partido a apresentar soluções para reduzir o IVA dos combustíveis, rejeitando a ideia de que os socialistas estejam agora a responder a uma iniciativa de outros partidos.
“As propostas que estão na Assembleia da República foram as propostas apresentadas por nós”, enfatizou.
Recordou ainda que os socialistas já tinham alertado para a necessidade de uma resposta integrada ao aumento dos custos de vida, incluindo combustíveis, eletricidade, gás, alimentação e crédito à habitação. As propostas do PS foram, entretanto, inviabilizadas no Parlamento, estando agendado para sexta-feira um debate de urgência sobre o custo de vida.
“Fronteiras abertas” foi “falácia” da direita
Questionado sobre as questões migratórias, José Luís Carneiro esclareceu que a chamada “mistificação das fronteiras abertas” foi uma “falácia” construída pela direita, defendendo que a informação agora divulgada por responsáveis da Polícia de Segurança Pública (PSP) ajuda a conhecer melhor a origem e as características dos fluxos migratórios que chegam a Portugal.
O líder socialista recordou que, enquanto ministro da Administração Interna, já tinha identificado a existência de movimentos secundários de migrantes provenientes de outros países europeus e adotado medidas de reforço do controlo rodoviário.
“Espero que esta pista que deu agora o responsável da PSP sirva para que aqueles que têm feito declarações levianas sobre este tema possam, de uma vez por todas, perceber o que se passa com os fluxos migratórios”, concluiu.