“O PS não viabiliza esta moção de censura, porque o PS responde aos portugueses”, vincou José Luís Carneiro, clarificando que a abstenção do Partido Socialista “bloqueia a crise política” e, ao mesmo tempo, “responsabiliza e censura o Governo”.
O Secretário-Geral do PS criticou o momento que o partido de extrema-direita escolheu para apresentar uma moção de censura e, com ironia, defendeu que o primeiro-ministro “devia dar o prémio do mês ao deputado André Ventura, porque, graças a ele, não foi feito o escrutínio da saúde, da habitação, dos salários e do custo de vida que era merecido ao Governo”.
José Luís Carneiro recordou quando o primeiro-ministro disse, na apresentação do programa do Governo, “que ia planar para a esquerda e para a direita” e avisou Luís Montenegro que “navegar sem rumo traz más consequências à democracia”.
“O Governo tem falhado em todas as áreas vitais à vida das pessoas”, criticou o líder socialista: “O Governo falhou na gestão das crises; o primeiro-ministro falhou na gestão e nos compromissos com a saúde; o primeiro-ministro falhou na gestão das necessidades relativas à habitação; e o primeiro-ministro falhou nos salários e na educação”.
Governo juntou-se ao Chega para tirar direitos
José Luís Carneiro sustentou que “foi graças à responsabilidade do PS e à sua abstenção” na votação do Orçamento do Estado para 2026 “que o país não foi, sete meses depois, de novo para eleições”.
No entanto, “o Governo não aprendeu com a lição da votação do Orçamento e foi entregar-se nos braços do Chega” para “tirar direitos aos trabalhadores, tirar direitos aos mais pobres e mudar a Constituição da República Portuguesa”, lamentou.
Ora, “quando a força dos trabalhadores se mostrou nas ruas” durante a discussão da reforma laboral, “o que aconteceu foi que o Chega deu o dito pelo não dito e a AD e o primeiro-ministro ficaram expostos à falta de maioria no Parlamento e à falta de palavra do partido que lhes tinha garantido a aprovação da reforma laboral”, que caiu no Parlamento, lembrou.
Para o Secretário-Geral do PS, “o mais grave é que, para ultrapassar esses erros, o primeiro-ministro foi para o Congresso do PSD, para a rentrée política e para a Universidade de Verão não para atacar aquele que lhe faltou à palavra, mas para atacar o PS”. José Luís Carneiro acusou, por isso, Luís Montenegro de “desnorte”.