“África é decisiva para o futuro de Portugal e para o futuro do projeto europeu. Portugal tem aqui um papel crucial a desempenhar, nesta ponte de diálogo entre Europa e África”, afirmou José Luís Carneiro, esta quarta-feira, em Maputo, no balanço da recente deslocação a Moçambique, no âmbito da qual, desde segunda-feira, desenvolveu uma agenda política e institucional, acompanhado pelo presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.
Ao longo de três dias, o líder socialista reuniu com empresários portugueses e moçambicanos e com a comunidade portuguesa residente, tendo mantido igualmente encontros institucionais com o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, e com a presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa.
Durante esta deslocação, José Luís Carneiro salientou que Moçambique ocupa uma posição particularmente relevante na estratégia de aproximação entre Portugal, África e o espaço lusófono, quer pela sua ligação ao Índico, quer pela relação com a África do Sul e com a África austral.
“Em conjunto com Moçambique, como um país charneira na relação com o Índico, mas também na relação com a África do Sul e com a África austral”, Portugal pode, apontou, afirmar interesses comuns no quadro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), abrangendo a cooperação linguística, técnica, cultural e científica, bem como a promoção do investimento e da cooperação empresarial e económica.
Para o líder socialista, é fundamental aprofundar o conhecimento sobre o momento que Moçambique atravessa e sobre as oportunidades que se abrem ao país, num contexto marcado pelo avanço dos megaprojetos de gás natural e pelas perspetivas de crescimento da produção moçambicana nos próximos anos.
E neste ponto, atribuiu particular importância à qualificação dos recursos humanos.
“O investimento na formação e na capacitação das pessoas é uma prioridade essencial ao desenvolvimento económico”, disse, defendendo uma visão de cooperação que associe o crescimento económico à criação de oportunidades para as novas gerações.
Relação económica com margem para crescer
A propósito da relação económica entre os dois países, que tem já uma expressão significativa, com mais de 1.100 empresas portuguesas exportadoras para o mercado moçambicano e quase 500 empresas de capitais portugueses instaladas no país, o Secretário-Geral salientou que Portugal é o sétimo maior fornecedor de Moçambique e que as trocas comerciais de bens ultrapassaram os 193 milhões de euros em 2025.
A estes laços económicos junta-se, sublinhou, uma comunidade de “mais de 40 mil portugueses registados na rede consular”.
E é neste contexto que o PS defende, referiu o líder socialista, mais cooperação económica e empresarial, mais investimento e mais oportunidades para portugueses e moçambicanos, valorizando igualmente a cooperação parlamentar e o papel da CPLP no aprofundamento da relação bilateral.
Parlamentos podem acelerar a cooperação
No encontro com a Presidente da Assembleia da República de Moçambique, Margarida Talapa, José Luís Carneiro defendeu igualmente a valorização da diplomacia parlamentar e dos mecanismos de cooperação entre os parlamentos, incluindo no quadro da CPLP, contribuindo de forma concreta para ultrapassar os obstáculos que continuam a condicionar a mobilidade dos cidadãos dos países lusófonos e permitindo que a proximidade entre os povos se traduza em mais oportunidades de estudo, trabalho e investimento.
Reafirmou, depois, que o PS continuará a assumir uma posição ativa na defesa dos cidadãos moçambicanos que procuram o nosso país.
“Continuaremos a ser um baluarte na defesa daqueles que procuram Portugal para estudar, para investir e para contribuírem para o desenvolvimento económico e social do nosso país”, precisou.
Numa referência especial à forte presença da comunidade portuguesa residente em Moçambique. O Secretário-Geral fez notar que os mecanismos de cooperação, proteção social e mobilidade são essenciais para trabalhadores, empresários e investidores dos dois países.
Quanto às alterações legislativas portuguesas em matéria de nacionalidade e estrangeiros, garantiu que o PS tem acompanhado e continuará a acompanhar o tema junto de instituições da CPLP, procurando avaliar os seus efeitos sobre a liberdade de circulação e a mobilidade dos cidadãos da comunidade.
Paz e desenvolvimento
Na reta final desta visita de três dias, José Luís Carneiro abordou ainda o processo de diálogo inclusivo nacional em curso em Moçambique, lançado com o objetivo de contribuir para a pacificação do país na sequência dos protestos que se seguiram às eleições de 2024 e que contempla reformas com horizonte até 2027.
Neste particular, o líder socialista transmitiu a disponibilidade do PS para contribuir para que esse processo cumpra o propósito de promover a paz.
“Aquilo que nós procuraremos fazer hoje e sempre é contribuir para esse espírito de paz e desenvolvimento”, declarou, defendendo que a criação de oportunidades para os mais jovens é uma dimensão essencial no processo, uma vez que permitirá aproximar as novas gerações da vida política e das instituições democráticas e reforçar as condições para um desenvolvimento social e político sustentado.