Aquilo que [Luís Montenegro] acabou de fazer trata-se da maior operação de branqueamento do que se passou com o caos nos exames deste Verão e na preparação do acesso ao ensino superior por parte dos alunos”, criticou José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas, este domingo, à margem de uma visita à Feira de Grândola, comentando o discurso de Luís Montenegro no encerramento da Universidade de Verão do PSD.
O líder socialista sublinhou que “só mesmo a tentativa de branqueamento” do caos que se verificou nos exames nacionais e no processo de acesso ao ensino superior justifica que o primeiro-ministro se tenha substituído ao ministro da Educação “para afirmar uma realidade que não existe na vida das pessoas”.
“Entre o número de candidatos que concorreram e que entraram, a percentagem diminuiu em relação aos anos anteriores”, observou.
Questionado sobre as afirmações de Luís Montenegro de que os governos do PS não quiseram resolver os problemas da educação, o líder socialista disse que o primeiro-ministro está “desfasado da realidade”, dando o exemplo dos instrumentos de apoios aos professores e do descongelamento das carreiras e dos salários.
“Devia ter a humildade para lembrar quem esteve no planeamento e em tantas opções que foram hoje anunciadas como sendo suas. Foi quase como uma atitude do cuco que é aquele que, em regra, aproveita o ninho feito pelos outros”, afirmou.
“Hoje há alunos que ainda não conhecem a sua situação de candidatura ao ensino superior e é muito importante que o ministro da Educação responda até ao princípio de setembro às perguntas que o PS formulou porque, caso contrário, avançaremos com uma comissão de inquérito” lembrou ainda.
José Luís Carneiro apontou também que Luís Montenegro aparenta ter “medo do povo português”, aconselhando o líder do executivo da AD a ouvir o país.
“Hoje voltámos a vê-lo, passado algum tempo, de novo também num local muito protegido. O primeiro-ministro devia ouvir o país porque se ouvisse o país não poderia fazer um discurso daqueles como acabou de fazer”, aconselhou.
Já sobre o Centro de Formação Profissional, José Luís Carneiro afirmou que Montenegro “deveria ter dito que encontrou financiamento”, assim como um programa de criação de centros tecnológicos para o ensino profissional “todo preparado pelo PS quando estava em funções governativas”.
“Queixou-se muito das gavetas que encontrou. Foi pena que não se tivesse lembrado” que nessas gavetas encontrou “mais de 3 mil e 500 milhões de euros que permitiram que, nestes mais de dois anos, tenha vindo a descapitalizar o superávit que existia no Estado e a responder a algumas das prioridades”, criticou.
E ainda assim “não resolveu os problemas do custo de vida e não deu respostas adequadas ao aumento dos custos de vida”, acrescentou o líder do PS.