Nos Açores, onde teve início o roteiro dedicado ao mar, José Luís Carneiro reforçou os alertas sobre o desperdício de potencial económico e acusou o executivo de Luís Montenegro de não ter uma visão estratégica para uma área que representa cerca de 4% do PIB e do emprego nacional.
“Encontro-me nos Açores, no arranque da nossa Rota da Economia do Mar, porque daqui depende 4% do nosso produto interno bruto e representa também 4% do nosso emprego”, afirmou o Secretário-Geral do PS, vincando que “muito do nosso potencial futuro está precisamente no Portugal voltado para o Atlântico, para a economia do mar, a economia azul e para as novas autoestradas do mar”.
No âmbito da visita a São Miguel, que incluiu contactos com representantes do setor, o líder socialista defendeu um reforço dos apoios às pescas açorianas, em articulação com o Governo Regional, para fazer face ao aumento dos custos com os combustíveis, que têm vindo a agravar as dificuldades dos profissionais.
Na ocasião, José Luís Carneiro apontou ainda como prioridades a renovação e modernização da frota, o aproveitamento das novas tecnologias e a criação de condições que permitam atrair e fixar novas gerações no setor, defendendo igualmente uma resposta que garanta aos pescadores uma reforma digna, em função dos descontos efetuados para a Segurança Social.
Em vésperas das comemorações do Dia de Portugal, fez notar o simbolismo de ter iniciado este roteiro nos Açores, renovando o compromisso de “dar centralidade a este tema na nossa agenda política” e reafirmando “um compromisso com o futuro dos Açores, que queremos que seja o centro do Atlântico”.
AD perdeu de vista uma prioridade nacional
Para os socialistas, o potencial económico associado ao mar encontra-se hoje subaproveitado, apesar do trabalho desenvolvido pelos governos liderados pelo PS, que estabeleceram como objetivo elevar para 7% o contributo da economia azul para a riqueza nacional.
José Luís Carneiro lamentou que essa ambição tenha deixado de constituir uma prioridade para o executivo de Montenegro, acusando-o de não possuir uma estratégia consistente para um dos setores mais promissores da economia portuguesa.
“O que se nota é o Governo sem visão estratégica, por um lado, e por outro, sem planeamento. É todo um potencial económico, é todo um potencial de emprego, é todo um potencial de criação de riqueza que perdeu prioridade política da parte do Governo e isso é uma perda para o país”, deplorou, manifestando a expectativa de que o roteiro temático promovido pelo PS possa contribuir para uma mudança de rumo.
“Gostava que esta iniciativa pudesse ter a função de alerta, de farol, para que o Governo não perca o sentido daquilo que é estratégico para o nosso país”, sintetizou.
Políticas construídas no terreno
Ao longo das próximas semanas, a rota socialista passará pela Madeira e por várias regiões do continente, com o objetivo de ouvir os agentes ligados ao setor e recolher contributos para uma estratégia que o PS considera essencial para reforçar a competitividade da economia nacional.
Nos Açores, os socialistas reuniram-se com a estrutura regional da Federação de Pescas, visitaram a empresa Futurismo e estiveram no porto de Vila Franca do Campo, procurando conhecer de perto os desafios e as oportunidades da economia azul.
No quadro destas deslocações, José Luís Carneiro defendeu ainda a criação de um instrumento europeu equivalente ao POSEI para as pescas, considerando que, mesmo que não seja possível recuperar o programa anterior, é necessário encontrar mecanismos que permitam compensar os custos associados à ultraperiferia.
Ao enfatizar que as pescas açorianas representam cerca de 15% do setor nacional, o Secretário-Geral do PS sublinhou a importância da inovação e do conhecimento científico produzido na Universidade dos Açores para valorizar a atividade e consolidar a posição estratégica da Região no Atlântico.
“Gostaria que, agora, durante esta rota que estamos a iniciar, o Governo também olhasse com outros olhos para esta prioridade nacional”, rematou.