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Governo não tem uma visão estratégica sobre o futuro do país

Governo não tem uma visão estratégica sobre o futuro do país

O secretário-geral do PS defendeu hoje que com a TAP privatizada Portugal fica simplesmente um “jardim à beira-mar plantado”, periférico e sem “função na Europa e redes globais”, acusando o Governo de falta de “visão estratégica”.

António Costa concentrou-se na questão da companhia aérea portuguesa, “da maior gravidade”, considerando que a empresa “cumpre uma função estratégica única e indispensável em Portugal” de ligação com a diáspora e de instrumento para o país ser a plataforma de ligação, como é “desde há 600 anos” com África e a América Latina, algo que “já não é assegurado pelas caravelas”.

“Se quisermos ser efetivamente um país pequeno, aquele de que tantas vezes ouvimos falar, de ser simplesmente um jardim à beira-mar plantado, na extrema periferia da Europa, se calhar não precisamos de TAP. Se quisermos ter uma função, quer na Europa, quer nas redes globais, diferente, então Portugal precisa da TAP e não pode correr o risco de um dia a perder”, disse, num debate organizado pela Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), no edifício-sede, em Lisboa, sobre “O Papel do Estado nos Setores Estratégicos”.

Para o candidato a primeiro-ministro, “o Governo nunca esclareceu que iniciativa concreta teve junto da Comissão Europeia para saber se era viável resolver o problema da TAP com fundos públicos”, mostrando-se “convencido de que (o executivo da maioria PSD/CDS-PP) nunca o fez” e lamentando que o PS não tenha sido ouvido no processo, dado haver eleições “a um ano”.

“Cada vez que olhamos para uma decisão do Governo, percebemos bem que uma das razões pelas quais governa mal é porque não tem uma visão estratégica sobre o futuro do país. Nós nunca podemos comprometer, com uma decisão que tomamos hoje, aquilo que são os interesses permanentes e estratégicos de um país como Portugal”, defendeu.

O líder socialista criticou ainda o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas por “prosseguir a política da ‘troika'” e “ir mais além”, lembrando que o memorando de entendimento com Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional previa uma receita total de cinco mil milhões de euros e “o Estado já arrecadou cerca de oito mil milhões de euros, ultrapassando o objetivo acordado”.