“Hoje temos mais de 1 milhão e 600 mil pessoas sem médico de família. Temos, como se sabe, mais tempo de espera nas listas para cirurgias e mais tempo de espera para cirurgias oncológicas. Em todos estes indicadores, Portugal está pior”, disse o líder socialista.
Em declarações aos jornalistas após a reunião, José Luís Carneiro apontou que, “mais grave do que isto, é o Governo querer resolver o problema das listas de espera tirando as pessoas das listas de espera”.
“Tirando as pessoas para as chamadas cirurgias menos gravosas e também procurando tirar das listas de espera os cidadãos portugueses que vivem no estrangeiro. Isto é inaceitável e incompreensível”, criticou.
José Luís Carneiro chamou ainda a atenção para a posição do bastonário da Ordem dos Médicos para as alterações ao Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINACC), que definem que determinados procedimentos classificados como “pequena cirurgia” deixem de implicar a inscrição dos doentes na Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC), ao contrário do que era feito até agora.
“O bastonário da Ordem dos Médicos pediu que se pondere essa decisão porque há falhas que estão detetadas e que são graves na igualdade das pessoas nos termos de acesso ao Serviço Nacional de Saúde”, disse.
O Secretário-Geral do PS dirigiu, por isso, um apelo ao primeiro-ministro para que “esteja especialmente atento a esta mudança”, uma vez que, acrescentou, as últimas mudanças a envolver plataformas tecnológicas “deram os resultados que são conhecidos de todos”.
“O meu dever é o de ouvir atentamente as palavras de quem está a fazer o alerta. O alerta foi lançado pela ordem dos médicos e, do meu ponto de vista, o primeiro-ministro deve ouvir o alerta de quem recebe informação de todo o país”, frisou.
José Luís Carneiro sustentou ainda que as dificuldades testemunhadas na visita a alguns dos serviços da unidade Amadora-Sintra, a cujos profissionais e administração deixou uma palavra de apreço, confirmam que a “saúde está pior” com as opções políticas tomas por este Governo.
“Cerca de 30% dos utentes sem médico de família significa uma sobrecarga nos cuidados de urgência hospitalar. E, portanto, isto é demonstração, factual, de que a saúde está pior do que estava quando este Governo assumiu função”, vincou o líder do PS.