“Não pedimos a demissão dos ministros porque a composição do executivo é uma escolha do primeiro-ministro e também é sua decisão a exoneração”, afirmou.
Ainda assim, José Luís Carneiro não poupou críticas a Fernando Alexandre na gestão da crise dos exames nacionais.
“Se se aplicassem os critérios da meritocracia ao ministro da Educação, ele não os preencheria para estar no lugar onde está”, declarou, acusando o titular da pasta da Educação de nunca assumir responsabilidades políticas e de procurar responsabilizar os serviços e estruturas sob a sua tutela.
“Atinge um nível da inimputabilidade política e devem pedir-se responsabilidades ao primeiro-ministro”, acrescentou.
O líder do PS confirmou também que o partido mantém em aberto a possibilidade de requerer uma comissão parlamentar de inquérito, mas recusou avançar de forma precipitada.
“Não queremos ser factor de perturbação e de intranquilidade num momento que já de si é muito sensível”, explicou, lembrando que continuam a ser corrigidas falhas identificadas no processo.
Sobre a polémica em torno do ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro rejeitou as acusações de falta de firmeza do PS. “Essas acusações ao PS são injustas: nem esteve em silêncio, mas também não fez julgamentos na praça pública precipitados”, sublinhou, distinguindo este caso do que envolve o ministro da Educação por se tratarem de “matérias diferentes e de gravidade distinta”.
O Secretário-Geral exigiu, no entanto, que o ministro da Administração Interna preste “todos os esclarecimentos com toda a transparência”, advertindo que, sem explicações “factuais, rigorosas” e sujeitas a escrutínio, a sua autoridade política “corre esse risco” de ficar diminuída.
O líder socialista salientou que Luís Neves “serviu o interesse público na Polícia Judiciária durante várias décadas” e tinha “prestígio e autoridade”, porém apontou que o governante deve agora demonstrar que os seus atos “são compatíveis com a legalidade e com a ética”.
“Ele sabe melhor do que ninguém que a clareza das explicações relativas aos factos conhecidos é essencial”, declarou.
Quanto ao calendário, o líder socialista considerou que os esclarecimentos “já deviam ter sido dados” e que “pecam por tardios”, manifestando ainda a expectativa de que os inquéritos em curso pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Judiciária sejam céleres, por entender que contribuirão para o prestígio das instituições.