José Luís Carneiro defendeu, este sábado, que o Governo da AD deve assumir responsabilidades perante alunos, famílias, professores e escolas, não afastando a possibilidade de o PS propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito, caso os esclarecimentos se mostrem insuficientes.
À margem do Congresso Federativo do PS de Braga, em Vieira do Minho, o líder socialista classificou como “gravíssimos” os problemas conhecidos nas últimas horas, referindo situações em que professores receberam provas de disciplinas diferentes daquelas que devem avaliar e denúncias de orientações para que exames incompletos fossem classificados.
“Quero neste momento pedir responsabilidades ao primeiro-ministro. O primeiro-ministro não pode continuar a desvalorizar aquilo que é um assunto muito grave para milhares de pessoas”, afirmou o líder socialista, considerando que estas ocorrências colocam em causa “a fiabilidade do processo”, constituindo ainda “uma fraude no processo de avaliação”.
O Secretário-Geral criticou igualmente a resposta do executivo às dificuldades verificadas, defendendo que o problema não se resolve através do pagamento de horas extraordinárias aos docentes encarregues da correção dos exames.
“Estou a chamar o primeiro-ministro para explicar como é que vai garantir a fiabilidade do processo. Os professores não estão à venda. Como é que vai garantir a fiabilidade e a confiabilidade deste processo? Porque o que se passa é demasiadamente grave e todos os portugueses têm de ter consciência disto”, declarou.
José Luís Carneiro deplorou ainda a falta de sensibilidade do Governo da AD perante uma situação que afeta milhares de estudantes, precisamente numa fase decisiva do seu percurso académico.
Milhares de candidaturas ao ensino superior podem estar em risco
Para o Secretário-Geral socialista, as falhas conhecidas colocam em causa a confiança na escola pública e podem ter consequências sérias para os candidatos ao ensino superior, alertando para o risco de um elevado número de pedidos de reapreciação das provas e para a necessidade de assegurar que todo o processo decorra com transparência e rigor.
Perante tal situação, avisou: “Não podemos deixar de parte a hipótese de uma Comissão de Inquérito, porque as circunstâncias são demasiadamente graves, particularmente para milhares de famílias, milhares de alunos, que andaram doze anos a preparar as suas candidaturas e o seu futuro percurso profissional”.
José Luís Carneiro sustentou que o executivo deve reconhecer os erros e explicar o que falhou, defendendo que essa é a única forma de restaurar a confiança dos portugueses.
Advertiu ainda que a divulgação das classificações, prevista pelo Governo para sexta-feira, 17 de julho, não elimina as dúvidas existentes sobre a robustez do processo, considerando que persistem incertezas quanto à avaliação de muitos alunos e às respetivas candidaturas ao ensino superior.
Na sua intervenção, o líder do PS apelou diretamente ao primeiro-ministro para que assuma responsabilidades políticas pela situação.
“Tem de meter a mão na consciência”, rematou.