O Secretário-Geral do Partido Socialista exigiu, este sábado, explicações e medidas concretas ao Governo de Luís Montenegro perante o novo aumento das prestações do crédito à habitação, alertando para o impacto que a subida dos juros terá nos orçamentos familiares, num contexto já marcado pelo agravamento generalizado do custo de vida.
À margem de uma visita à Festa da Cereja, em Resende, José Luís Carneiro considerou que a perspetiva de aumento das prestações da casa representa “um balde de água fria” para milhares de famílias portuguesas, em particular para os jovens que enfrentam maiores dificuldades para suportar os encargos com a habitação.
“O primeiro-ministro deve explicar ao país o que é que está a fazer para responder às necessidades concretas por que estão a passar as famílias, quer com o custo de vida e agora com este balde de água fria que vai cair em cima de muitas famílias, particularmente muitas jovens famílias do nosso país”, afirmou.
O líder do PS sublinhou que este novo agravamento surge numa altura em que os portugueses continuam a enfrentar aumentos nos preços dos bens alimentares essenciais, dos combustíveis, das comunicações e de outros encargos indispensáveis ao quotidiano, pressionando ainda mais os rendimentos das famílias.
“Queria saber o que é que o Governo está a fazer para responder a essa dificuldade”, questionou, manifestando forte preocupação relativamente a dados recentes que apontam para uma subida nas prestações dos contratos de crédito à habitação com taxa variável já em junho, com determinados empréstimos cujos acréscimos poderão atingir várias dezenas de euros por mês.
Perante este cenário, José Luís Carneiro recordou que o Partido Socialista tem vindo a apresentar propostas destinadas a aliviar a pressão sobre os rendimentos dos portugueses, nomeadamente através da redução dos custos associados aos bens alimentares, combustíveis, gás, produção alimentar e setor das pescas, defendendo igualmente uma atenção particular ao impacto dos aumentos dos encargos com a habitação.
“O Governo tem de explicar, o primeiro-ministro tem de explicar aos portugueses o que é que está a fazer para responder a estas necessidades”, insistiu.
Socialistas rejeitam visão punitiva da proteção social
Questionado sobre a futura Prestação Social Única (PSU), o Secretário-Geral confirmou que a medida estava prevista no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) como instrumento de integração das prestações sociais dirigidas aos cidadãos mais vulneráveis, mas sublinhou divergências relativamente à forma como a mesma poderá vir a ser aplicada.
“Não podemos ver numa medida desta natureza uma medida de correção de comportamentos individuais e sociais”, enfatizou.
Para os socialistas, o aumento dos encargos com a habitação constitui mais um sinal das dificuldades que se acumulam para as famílias portuguesas e reforça a necessidade de respostas políticas centradas na proteção do rendimento, na valorização dos salários e no combate ao aumento do custo de vida.