Num debate com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Miguel Cabrita classificou o pacote laboral proposto pelo Governo como “radical” e garantiu que o PS votará contra, honrando a sua palavra e a sua história.
O coordenador dos socialistas na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão recordou que este pacote laboral “não estava em nenhum programa eleitoral”, tendo o “PSD escondido e apresentado à traição logo após as eleições”, mas que “sindicatos e portugueses rejeitam de forma esmagadora, até com duas greves gerais”.
O socialista acusou o Executivo de fazer “tudo ao contrário”: “Quando o emprego está em máximos históricos, despedimentos sem reintegração; quando Portugal ainda tem precariedade acima da média, mas está a recuperar, querem voltar atrás, aos contratos a termo, menos salários, mais incerteza para os jovens; quando Portugal é um dos países em que se trabalham mais horas, o Governo quer voltar ao banco de horas individual, horários instáveis, trabalhadores coagidos a trabalhar até 50 horas por semana”.
Lamentando por o Governo “atirar ao alvo fácil”, que são os trabalhadores e os seus direitos, Miguel Cabrita comentou que o país “já viu este filme, só que já não estamos em 2012, estamos em 2026 com o emprego em máximos e a receita do Governo é exatamente igual à da troica”.
“Por pura convicção ideológica, insensibilidade, ideias fixas”, o executivo da AD quer “dar mais poder a quem já o tem e retirar direitos, condições e perspetivas aos jovens, às famílias, aos trabalhadores”, criticou.
Linhas vermelhas do Chega são afinal laranja
O deputado do PS afiançou que a ministra Maria do Rosário Palma Ramalho “escolheu ficar na história como a governante que traz a este Parlamento o pacote laboral mais agressivo, mais regressivo e mais radical da história da nossa democracia”.
Já o primeiro-ministro jurou que “não é não” quanto a entendimentos com o Chega, “mas agora governa em cada vez mais áreas com a extrema-direita”, referiu.
“E agora o Governo prepara-se para dar à extrema-direita concessões que recusou obstinadamente meses e meses aos sindicatos, tudo para impor a sua vontade e para impor estes retrocessos aos trabalhadores e ao país”, atacou. O Governo “vai fazê-lo com a cumplicidade da extrema-direita e do seu líder, que já disse tudo e o seu contrário”, vincou o socialista.
Miguel Cabrita lembrou que “o Chega já entregou uma proposta laboral que tem banco de horas individual para pôr a trabalhar as pessoas até 50 horas semanais; entregou uma proposta que escancara a porta a mais e mais contratos a prazo para os jovens; entregou uma proposta que alarga os despedimentos sem reintegração”.
Ora, “a troco de dois ou três dias de férias vão tornar a vida dos trabalhadores e dos jovens num inferno em todos os outros 362 dias do ano”, disse.
No final da sua intervenção, Miguel Cabrita comentou que, “a troco do futuro das nossas pensões, as linhas vermelhas do Chega são, afinal, muito laranja e vão ser cúmplices do Governo a prejudicar jovens, famílias, classe média, trabalhadores”.
Pacote laboral é um retrocesso civilizacional
O presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, recordou que “a extrema-direita foi dizendo, ao longo dos últimos meses, quando era mais conveniente, que era contra a reforma laboral e, quando era mais conveniente, que era a favor”. E acusou André Ventura de ter enganado os seus eleitores durante as eleições presidenciais “dizendo que era contra a reforma laboral”.
“A extrema-direita hesita, mas no fim faz aquilo que nós esperamos dela – escolhe a agenda dos seus financiadores, é ela que prevalece sempre”, acusou.
Dirigindo-se diretamente a André Ventura, Eurico Brilhante dias assegurou que o pacote laboral “é um retrocesso civilizacional e é, acima de tudo, a sua traição aos trabalhadores de mão dada com Luís Montenegro”.