Na sétima reunião do Conselho Estratégico do PS, realizada no passado sábado, em Coimbra, o PS reuniu dirigentes, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir “quais devem ser as prioridades fundamentais de uma agenda política progressista relativamente às questões económicas e sociais”, num encontro marcado pela forte participação de jovens e pela aposta na definição de soluções práticas para os problemas que mais afetam os portugueses.
À entrada para a reunião, José Luís Carneiro sublinhou que o partido está concentrado em ouvir contributos e preparar respostas para as dificuldades concretas enfrentadas pelas famílias.
“Temos hoje de novo o Conselho Estratégico para abordar as prioridades que devem estar na agenda política do nosso país”, afirmou, destacando o trabalho desenvolvido pelo órgão coordenado por Augusto Santos Silva.
O líder socialista identificou como prioridade imediata “as questões ligadas ao custo de vida”, defendendo ser “muito importante garantirmos respostas para as dificuldades que as pessoas estão a passar”.
A habitação foi, desde logo, apontada como outro dos grandes desafios nacionais, com o líder socialista a insistir na “necessidade de encontrarmos soluções que são vitais para os mais jovens, mas também para as diferentes gerações”.
Na área da saúde, alertou para o agravamento da situação no SNS, referindo que existem “mais pessoas sem médico de família, mais pessoas à espera da primeira consulta, de cirurgias, inclusivamente as oncológicas”.
“Urgem respostas adequadas por parte do SNS”, vincou.
José Luís Carneiro destacou ainda os sinais de bloqueio da economia portuguesa, considerando fundamental garantir “salários mais dignos, capazes de fixar as gerações mais jovens e qualificadas deste país”.
Em declarações aos jornalistas, a escolha de Coimbra para acolher a reunião foi também apresentada como simbólica.
“É uma das cidades do conhecimento do nosso país. É uma das marcas, um dos motores do conhecimento, do saber, da investigação”, afirmou o Secretário-Geral, associando o debate estratégico socialista à valorização do conhecimento, da qualificação e da inovação como motores do desenvolvimento nacional.
No final da reunião, Augusto Santos Silva destacou a dimensão e diversidade da discussão promovida pelo PS.
Após enfatizar que o tema “não podia ser mais oportuno”, o coordenador do Conselho Estratégico referiu que a reunião contou com “20 intervenções” centradas em áreas como educação, habitação, proteção social, segurança social, saúde e políticas de migração, defendendo que o PS está a construir uma alternativa política assente em crescimento económico com justiça social e proteção dos mais vulneráveis.
Socialistas condenam “desmazelo” do Governo na gestão de crises
Críticas à atuação do Governo nos momentos de maior exigência marcaram também esta jornada de trabalho, com José Luís Carneiro a acusar o executivo da AD de acumular falhas graves na gestão de crises sucessivas que atingiram Portugal nos últimos meses.
À margem da reunião do Conselho Estratégico, o líder socialista apontou diretamente para o relatório da Presidência da República sobre as tempestades que atingiram várias regiões do país no início do ano para evidenciar falhas na resposta da equipa chefiada por Luís Montenegro.
“Veio mostrar que o Governo não teve capacidade de resposta, chegou tarde, que a resposta foi insuficiente e incompetente”, frisou, considerando que o documento mostra “um Governo desmazelado”.
José Luís Carneiro defendeu que o país necessita de uma liderança capaz de antecipar problemas e coordenar eficazmente os meios públicos em situações de emergência, considerando ainda que as conclusões agora conhecidas confirmam alertas que o PS tem vindo a fazer relativamente à atuação do Governo em vários dossiês críticos.
Nesse sentido, recordou igualmente o relatório elaborado pelo deputado social-democrata Paulo Moniz sobre o apagão elétrico, que apontava falhas de coordenação e incapacidade de resposta por parte do executivo.
Para José Luís Carneiro, existe um padrão de atuação governativa que se repetiu nos incêndios de 2025, no apagão elétrico e agora na resposta às tempestades que assolaram o país durante o inverno.
“A palavra desmazelo é a que melhor caracteriza a resposta do Governo aos momentos mais críticos”, rematou.