“A greve geral que se viveu hoje [quarta-feira] é a segunda greve de grande adesão em seis meses. E é claramente uma resposta ao estilo de governação deste Governo. A paz social que durante anos foi construída em diálogo, com concertação, com respeito mútuo entre parceiros sociais, foi quebrada pela teimosia, pela inflexibilidade e pela arrogância deste Governo, que mostrou um desrespeito inaceitável pelo diálogo social”, afirmou a secretária nacional Fátima Fonseca.
Por isso, vincou a dirigente socialista, a responsabilidade por esta greve “é inteiramente” do executivo da AD, “que teima em ignorar os sinais que a sociedade tem insistentemente dado desde o início deste processo” e que “preferiu a imposição ao diálogo”.
“Dez meses depois da apresentação do documento de contrarreforma laboral, este continua profundamente errado. Não dá resposta a novos problemas e ressuscita problemas que já tinham sido ultrapassados. Não responde à competitividade, não responde à produtividade e mantém um desequilíbrio radical contra quem trabalha”, sublinhou.
“O que este Governo propõe é claro: mais precariedade, mais instabilidade, horários desregulados, piores salários, projetos de vida comprometidos e acesso à habitação ainda mais difícil”, criticou.
A dirigente socialista contrapôs que foi nos governos do PS, com o acordo de concertação social de 2018 e com a Agenda para o Trabalho Digno de 2023, que “a precariedade diminuiu para convergir com a Europa” e que “foram regulados” aspetos relacionados com os novos desafios da economia e do trabalho.
“O PS compreende a complexidade dos desafios do mundo do trabalho e é por isso que defende o trabalho com direitos, a estabilidade das famílias e o diálogo social como pilares inegociáveis de uma sociedade mais justa”, sinalizou.
Equipa e linhas de ação para uma transformação estrutural da economia
Neste sentido, defendeu, “o Partido Socialista considera que o desafio que se coloca ao país não é uma contrarreforma laboral que ataca os direitos das famílias, dos jovens, das mulheres e dos mais desprotegidos”, mas uma estratégia de ação que permita a Portugal “crescer mais, produzir melhor e remunerar melhor”.
“O que o país precisa é de uma estratégia que promova a transformação estrutural da economia portuguesa, que aumente a competitividade das empresas, a produtividade, a criação de riqueza e a convergência salarial”, através “de um alinhamento entre investimento, internacionalização, qualificação, inovação, produtividade e salários”.
Para dar concretização a esta estratégia, Fátima Fonseca anunciou que o PS dará início, ainda durante este mês de junho, à iniciativa de encetar contactos com um conjunto de 20 economistas, para validar uma metodologia de trabalho e constituir uma equipa que reúna com os parceiros sociais, sobre as diversas áreas da economia, visando “prosseguir com um conjunto de linhas de ação” para dar corpo a este “objetivo agregador e transformador” do país.
“É para esse desígnio que o PS está disponível”, concluiu.