Perante uma sala composta por dirigentes, militantes e quadros partidários, José Luís Carneiro assumiu que o PS está empenhado em prosseguir um caminho “lento, mas de perseverança”, assente na recuperação da confiança, no reforço da proximidade aos cidadãos e na construção de uma alternativa de governação sólida e credível.
“Não há vitórias que se alcancem nem há projetos vencedores sem antes ganharmos a batalha cultural, a batalha das ideias, a batalha das mentalidades”, sublinhou, destacando o papel de instrumentos como a revista “Portugal Socialista”, o jornal oficial “Ação Socialista” e a Fundação Res Publica nesse esforço.
Mais do que uma publicação periódica, esta edição da revista do PS surge como um espaço consolidado de reflexão crítica e de debate, reunindo contributos que procuram responder aos desafios do presente e projetar soluções para o futuro.
Num contexto que classificou como “particularmente exigente” para as forças socialistas e social-democratas, o líder do PS destacou a importância de reforçar os pilares ideológicos e programáticos do partido.
José Luís Carneiro salientou que o PS está já a recuperar, de forma gradual, a confiança dos portugueses, num cenário em que outras forças políticas atravessam trajetórias divergentes.
Referindo-se em concreto ao atual contexto governativo, apontou sinais de “desilusão e desencantamento”, sobretudo entre os mais jovens, criticando a incapacidade do Governo da AD para responder aos problemas das famílias, das empresas e das autarquias.
“Há uma incapacidade para responder às necessidades das pessoas”, apontou, rejeitando também dar respaldo a alterações à legislação laboral que, frisou, “nem o PS pediu, nem os portugueses pediram, nem mesmo os empresários pediram”.
Centrando-se nas prioridades concretas do país — habitação, saúde, salários, rendimentos e custo de vida —, o Secretário-Geral reforçou a necessidade de manter o foco nas preocupações e necessidades reais das populações, à semelhança do trabalho desenvolvido pelos autarcas socialistas no terreno.
Ao mesmo tempo, alertou para o avanço de correntes liberais e de discursos populistas que, alertou, procuram fragilizar os fundamentos do socialismo democrático e da social-democracia.

Ideias, território e proximidade no centro do debate socialista
A sessão de apresentação do mais recente número da revista “Portugal Socialista” integrou também um momento de debate, moderado por Porfírio Silva, com um painel composto por Ana Umbelino, presidente das Mulheres Socialistas da Federação Regional do Oeste e professora universitária, Bruno Aragão, presidente da Comissão Política Concelhia de Oliveira de Azeméis e docente de Psicologia Política, e Cátia Rosas, presidente das Mulheres Socialistas da Federação da Área Urbana de Lisboa e ex-vereadora em Lisboa.
Partindo do dossiê “Continuar a Construir Futuro”, que reuniu 39 contributos “de camaradas de vários pontos do país, de várias gerações e com diferentes experiências partidárias”, publicados neste número da revista, a discussão aprofundou temas centrais como a organização interna do partido, a sua ligação ao território e a capacidade de transformar valores políticos em respostas concretas para os cidadãos.
Em destaque esteve ainda a necessidade de articular diferentes áreas de intervenção pública, garantindo políticas mais integradas e eficazes.
Um vídeo de Tiago Corais, militante e dirigente do PS, exibido durante a sessão, serviu de ponto de partida para a reflexão, introduzindo uma perspetiva inspirada na dinâmica anglo-saxónica, assente na proximidade às comunidades e no contacto direto com os cidadãos.
Ao longo desta iniciativa, ficou clara a aposta do Partido Socialista numa estratégia que combina reflexão, mobilização e proximidade, com vista à consolidação de uma frente de valores progressistas capaz de responder aos desafios atuais.
“Estou convencido de que o caminho que estamos a fazer vai levar-nos a bom porto”, concluiu José Luís Carneiro, sintetizando a ambição de afirmar o PS como uma alternativa credível, consistente e preparada para governar.
