No final da reunião da Comissão Política Nacional, realizada esta quarta-feira à noite, André Moz Caldas defendeu que o balanço antecipado do Estado da Nação confirma o falhanço da ação governativa em áreas essenciais, reafirmando o PS como uma alternativa credível para o país.
O dirigente socialista sustentou que a avaliação feita pelo PS coincide com a perceção dos portugueses, referindo que os mais recentes estudos de opinião apontam para um sentimento de degradação da situação nacional.
“A perspetiva da Comissão Política Nacional não é diferente da da maioria dos portugueses, pelo menos de acordo com o estudo de opinião hoje conhecido: o país está pior do que estava há um ano”, afirmou Moz Caldas, salientando que os cidadãos identificam a saúde como o principal problema do país, seguindo-se o próprio Governo e, em terceiro lugar, o custo de vida.
“O Governo que devia ser fonte de soluções, é visto pelos portugueses como um dos principais problemas do país”, vincou.
Na declaração aos jornalistas, o membro do Secretariado Nacional do partido fez um balanço particularmente crítico da ação governativa, sustentando que o executivo da AD não só falhou sucessivamente na resposta às principais crises nacionais como está a apresentar resultados aquém dos alcançados pelos governos do PS.
“O Governo, efetivamente, falhou. Falhou na gestão das crises: o ano passado no apagão e dos fogos rurais. No início deste ano, nas tempestades. Falhou na saúde. Falhou na economia, apresentou-se a eleições com um cenário económico fantasioso e agora celebra resultados inferiores aos dos governos socialistas que tanto criticavam. Falhou na habitação, contribuindo para a aceleração dos preços das casas e das rendas. Falhou na mitigação dos efeitos da inflação e do aumento do custo de vida. Está a falhar clamorosamente na educação”, prosseguiu.
Salientou depois que a dimensão destes problemas demonstra uma falha de liderança política ao mais alto nível, deixando claro que “um falhanço tão transversal não é responsabilidade dos ministros individualmente”, mas antes “é consequência da falta de liderança e de coordenação do primeiro-ministro”.
André Moz Caldas acusou ainda Luís Montenegro de não assumir plenamente as responsabilidades inerentes ao cargo.
“Ausente ou em silêncio em momentos críticos, o primeiro-ministro não tem estado à altura da responsabilidade da função”, atirou.
Perante este cenário, garantiu que o Partido Socialista continuará a exercer uma oposição exigente, centrada na apresentação de soluções para os portugueses.
“O Governo continuará a tentar lançar as culpas para terceiros, a desviar as atenções e estender cortinas de fumo. O PS continuará a fazer oposição responsável e firme e a apresentar-se como alternativa de confiança para os portugueses”, assegurou.

PS condena declarações de Montenegro sobre os exames nacionais
Na mesma ocasião, Moz Caldas deplorou as declarações feitas no dia anterior por Luís Montenegro, a propósito dos sucessivos problemas que se têm registado no processo de correção dos exames nacionais, considerando que representam “uma falta de respeito para com os professores”.
O dirigente socialista afirmou que o chefe do Governo insinuou que os docentes poderiam ter contribuído deliberadamente para prejudicar alunos e famílias, classificando essa atitude como inaceitável.
Defendeu ainda que, apesar de divergências passadas entre o PS e os professores, os socialistas nunca colocaram em causa o profissionalismo da classe.
Questionado sobre a possibilidade de uma comissão parlamentar de inquérito ao processo dos exames nacionais, André Moz Caldas explicou que o partido entende que este instrumento de fiscalização não deve ser banalizado.
Não excluindo totalmente essa possibilidade, assinalou que existem ainda outros mecanismos parlamentares e institucionais que podem ser acionados para apurar responsabilidades.
O dirigente socialista garantiu igualmente que o PS não tomará qualquer iniciativa que possa perturbar o desenrolar do processo antes da divulgação das classificações, manifestando o desejo de que as pautas possam ser publicadas na sexta-feira, permitindo aos estudantes conhecer os seus resultados e prosseguir com serenidade o percurso escolar e académico.