Falando na abertura da sessão evocativa dos 50 anos do I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, que teve lugar na sede nacional do PS, em Lisboa, Carlos César afirmou que “não há nunca razão definitiva” para Portugal pensar que está “condenado a parar no tempo ou a andar para trás”, e que “sejam quais forem as contrariedades conjunturais”, deve-se “continuar a confiar nas capacidades e nos destinos do país”.
“Mesmo nos tempos que vivemos, seja no plano europeu e internacional, seja face à avaliação que por estes dias fazemos do atual Governo da República, incluindo as complicações que têm envolvido as figuras e os mandatos do primeiro-ministro, do ministro da Presidência, da ministra da Saúde, da ministra do Trabalho, do ministro da Educação ou do ministro da Administração Interna”, acentuou.
Carlos César considerou, depois, que se deve trabalhar sempre com o objetivo de fazer “melhor no presente pelo futuro”, defendendo que hoje, como há 50 anos, o “diálogo social e o diálogo entre os partidos centrais da democracia, que se alternam nas suas propostas, são essenciais e são a caução do regime”.
Observando que há o hábito de olhar para Portugal “em plano inclinado ou com sucessivas crises de estima”, o Presidente socialista argumentou que “há progressos que animam a história económica e social” dos últimos 50 anos do país e que “não se devem apenas ao curso inevitável dos tempos”.
“Foi por esforço dos portugueses e por lideranças como as de Mário Soares que fizemos esse percurso”, frisou, acentuando que “as orientações, iniciativas e vitórias do PS” foram “decisivas para a consolidação progressiva e contínua” do caminho que se seguiu após a Revolução de Abril.
Lembrando que “coube a Mário Soares, por vontade expressa dos portugueses, a liderança do processo de pacificação” do país, Carlos César sublinhou que a evocação dos 50 anos da tomada de posse do I Governo Constitucional não deve ser feita “com qualquer saudosismo”, mas sim pelo seu papel na história do país, que contribuiu para “moldar a consciência de várias gerações”.
“Os socialistas fazem e devem fazer para que a memória não se apague nem se subverta, mas também para evidenciar a mudança desencadeada e todos os progressos que esse novo período gerou”, enfatizou o Presidente do PS.