O Secretário-Geral do PS voltou a desafiar o executivo da AD a aliviar a carga fiscal sobre os combustíveis e exigiu que o primeiro-ministro explique aos portugueses por que razão recusou as propostas socialistas para mitigar o impacto da subida dos preços.
Depois de, no domingo, ter acusado o Governo de Luís Montenegro de beneficiar financeiramente da escalada dos preços dos combustíveis, José Luís Carneiro reforçou esta segunda-feira, em Paredes, a necessidade de uma resposta política imediata, reiterando a proposta socialista de redução temporária do IVA.
“O Governo deve aceitar as medidas de política apresentadas pelo PS e o primeiro-ministro tem o dever de responder aos portugueses por que razão é que as não aceitou e por que razão é que teima a continuar a fustigar os portugueses com impostos sobre os combustíveis”, afirmou.
O líder socialista sustentou que o agravamento dos preços decorre do aumento da carga fiscal aplicada aos combustíveis, referindo que os consumidores enfrentam um acréscimo de 9,5 cêntimos por litro de gasóleo e de mais de seis cêntimos por litro de gasolina.
Perante este cenário, José Luís Carneiro voltou a defender a proposta apresentada pelo PS na Assembleia da República para reduzir temporariamente o IVA sobre os combustíveis de 23% para 13%, medida que, vincou, permitirá atenuar o impacto da subida do preço do crude nos mercados internacionais.
“O Governo deve adotar medidas, as medidas que nós apresentámos no Parlamento (…), para garantir que os efeitos que resultam do aumento do crude em termos internacionais não se façam sentir desta forma na vida das famílias”, insistiu.
Governo agrava o esforço das famílias
Na véspera, em Vila Nova de Gaia, José Luís Carneiro já tinha acusado o executivo do PSD/CDS-PP de retirar proveito do agravamento dos preços dos combustíveis, sustentando que o Estado arrecada mais receita fiscal à medida que os preços sobem.
O Secretário-Geral salientou que os portugueses pagam atualmente mais de 44 cêntimos de impostos por litro de gasóleo e mais de 30 cêntimos por litro de gasolina, acusando o executivo de estar “a lucrar com os sacrifícios dos portugueses”.
Lembrou que, desde a tomada de posse do atual Governo, os portugueses já suportaram mais de 1.048 milhões de euros em impostos sobre os combustíveis, num contexto em que o aumento do custo de vida continua a pressionar os orçamentos familiares, devido à subida dos preços dos bens essenciais, da habitação e dos transportes.
O líder socialista acrescentou ainda que a proposta do PS para reduzir temporariamente o IVA sobre os combustíveis foi rejeitada na Assembleia da República pela AD, Chega e Iniciativa Liberal, reiterando que o Governo de Luís Montenegro dispõe de instrumentos para aliviar os encargos das famílias e das empresas, mas continua a recusar utilizá-los.
Crise nos exames continua sem resposta
Questionado também sobre a crise dos exames nacionais, José Luís Carneiro rejeitou qualquer tentativa de desvalorizar o problema, depois de ter contactado com empresários locais e com uma aluna do ensino secundário que continua sem conhecer a classificação do exame de Português.
Ao assinalar que se trata de uma situação com consequências concretas na vida das famílias e dos estudantes, José Luís Carneiro considerou que desvalorizar esta situação revela incapacidade para compreender a realidade vivida pelos portugueses.
Numa referência às declarações do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que classificou a situação como um “caso pequeno”, o líder do PS concluiu: “Quem faz afirmações dessa natureza demonstra que está fora da realidade das pessoas que fazem a vida comum no dia-a-dia”.