A presença de José Luís Carneiro neste fórum sublinha o envolvimento ativo do PS nas dinâmicas internacionais da esquerda democrática, numa altura em que se intensifica o debate sobre desigualdades sociais, migrações e confiança nas instituições.
O líder socialista português terá um papel de destaque no sábado, ao intervir no painel “Promover a Democracia, derrotar a extrema-direita”, onde são esperadas posições firmes sobre o reforço das políticas públicas e da coesão social como resposta ao populismo.
Ao longo dos dois dias, José Luís Carneiro participará ainda em diversas iniciativas e encontros bilaterais com responsáveis internacionais, reforçando a presença portuguesa numa cimeira que junta algumas das principais figuras do campo progressista mundial.
Entre as vozes presentes estará também Ana Catarina Mendes, que integra o grupo de oradores portugueses.
A eurodeputada socialista tem defendido uma abordagem clara para enfrentar o avanço da extrema-direita, afirmando estar “absolutamente convencida de que a única forma que temos de enfrentar o crescimento da extrema-direita é ter uma agenda social fortíssima que responda aos problemas das pessoas”, colocando temas como habitação, saúde e rendimentos no centro da ação política.
Ana Catarina Mendes tem sublinhado que o desafio colocado às forças progressistas exige capacidade de renovação.
“Temos de ter a capacidade de renovar a nossa agenda, renovar o nosso contrato social com as pessoas”, sustenta, sublinhando ainda que o combate político passa por apresentar soluções concretas para a vida dos cidadãos, até porque “o que está em jogo é deixar claro o que temos para oferecer enquanto partidos progressistas”.
No domínio das migrações, tema que abordará na cimeira GPM, alerta para a necessidade de contrariar narrativas alarmistas.
“Esta ideia da instrumentalização da imigração [por parte da extrema-direita] para gerar medos, gerar falsas perceções, mesmo que os dados evidenciem o contrário do que estão a dizer, é uma matéria para a qual os progressistas têm de ter resposta”, enfatiza.
Progressistas articulam estratégia em cimeira de dois dias
A cimeira Global Progressive Mobilisation realiza-se em Barcelona, entre amanhã e sábado, num contexto de instabilidade internacional, afirmando-se como uma resposta das forças progressistas ao avanço das correntes conservadoras e de extrema-direita.
A iniciativa procura dar visibilidade a soluções políticas centradas na justiça social, na coesão e na resposta concreta aos problemas dos cidadãos.
Reunindo líderes e organizações de diferentes regiões e gerações, o encontro pretende transformar princípios em ação e resultados. Ao longo de dois dias, contará com mais de 116 oradores, oriundos de mais de 40 países, distribuídos por dezenas de espaços de debate, refletindo a dimensão e ambição global desta iniciativa.
Impulsionada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e pelo antigo chefe de governo sueco, Stefan Löfven, com o apoio de figuras como o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a GPM resulta de um esforço coletivo desenvolvido ao longo do último ano, afirmando-se como uma plataforma duradoura de articulação entre partidos, sindicatos, fundações e organizações progressistas, promovida por estruturas internacionais do centro-esquerda para reforçar a cooperação e a capacidade de resposta aos desafios globais.