Participando no encontro Mobilização Global Progressista, que decorreu na cidade catalã, onde esteve ao lado de líderes mundiais como o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o Presidente do Brasil, Lula da Silva, o presidente dos socialistas europeus, Stefan Löfven, e o presidente da Conselho Europeu, António Costa, entre muitas outras personalidades, atuais e anteriores chefes de Estado e de Governo, o líder socialista deixou também um alerta sobre a cedência clara da direita à agenda da extrema-direita.
“Direita está numa rampa deslizante para a extrema-direita”
“A direita democrática está numa rampa deslizante para a extrema-direita”, avisou o Secretário-Geral do PS, apontando que, também em Portugal, essa cedência “tem sido evidente”.
“O que tem acontecido à direita no Governo é que, em vez de responder às prioridades com que se comprometeu na campanha eleitoral – porque se comprometeu a dar respostas sérias na saúde, na habitação, nas exportações e economia do país, a melhorar salários –, tem cedido aos temas que agradam e fazem parte do núcleo fundamental da mensagem da extrema-direita, nomeadamente as questões da nacionalidade, das migrações”, referiu.
José Luís Carneiro defendeu ainda que o executivo liderado por Luís Montenegro “tem utilizado temas da extrema-direita não porque esteja preocupado com os temas da extrema-direita”, mas porque “é um mecanismo, um instrumento de distração da atenção da opinião pública, das suas incapacidades e insuficiências para responder às prioridades que o Governo tem”.
Em declarações aos jornalistas, depois de ter participado num debate sobre o tema ‘Promover a democracia, derrotar a extrema-direita’, o Secretário-Geral do PS defendeu que o “melhor modo” de se responder ao populismo e à demagogia é “garantir que a democracia responde às necessidades fundamentais dos cidadãos”, como o custo de vida, a saúde, a habitação ou o modelo de desenvolvimento da economia.
“Uma economia que seja capaz de crescer, baseada no conhecimento, na investigação, mas que seja simultaneamente sustentável no uso de recursos e inclusiva do ponto de vista social. Isto significa criar níveis elevados de emprego, mas emprego digno, que remunere bem os trabalhadores”, sustentou.
José Luís Carneiro considerou que só assim é que se conseguirá “responder a uma linguagem e a um método populista e demagógico que promete tudo e a todos e que, depois, naturalmente, falha”, frisando que isso se verificou ou está a verificar em diversos países.
“São modelos que prometem tudo e a todos, como se fosse tudo simples e não houvesse complexidade, e depois falham a tudo e a todos e, mais grave, é que quando, depois, falham a tudo e a todos e as pessoas descobrem, procuram utilizar instrumentos de controlo das sociedades, impedindo as liberdades democráticas e os direitos cívicos fundamentais”, afirmou.
José Luís Carneiro considerou que encontros como a cimeira que decorreu em Barcelona são importantes para que a esquerda progressista consiga cooperar a nível internacional para “responder a uma tendência global”.
“E a tendência global é para que os populismos sejam substituídos por uma mensagem de verdade, de proximidade e que responda às necessidades das pessoas”, afirmou o líder socialista.