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António Costa quer eliminação da desigualdade salarial e acordo para conciliação familiar e profissional

António Costa quer eliminação da desigualdade salarial e acordo para conciliação familiar e profissional

O Secretário-geral socialista e primeiro-ministro, António Costa, quer um acordo em sede de concertação social para a conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional, o mais rapidamente possível. O líder do PS presidiu à cerimónia de apresentação das Novas Lideranças Concelhias das Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos (MS-ID), que ontem teve lugar na sede nacional do partido, durante a qual foram apresentadas as 137 novas presidentes das estruturas de base concelhia recentemente criadas.
António Costa quer eliminação da desigualdade salarial e acordo para conciliação familiar e profissional

António Costa disse este domingo, no Largo do Rato, que tinha sido estabelecido o objetivo de poder “celebrar o Dia Internacional da Mulher de 2020 com a assinatura desse acordo”, lamentando que ainda não tenha sido possível concretizá-lo.

“E é a dificuldade de concluirmos este acordo, que parece à partida óbvio para todos, e em que nem um único parceiro social foi capaz de dizer que não era sua prioridade a conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional, a verdade é que mais de um ano depois esse acordo ainda está por assinar”, apontou.

António Costa frisou que este acordo “é o próximo passo que Portugal tem que dar para alcançar mais resultados em matéria de Igualdade”, lembrando que “as tarefas domésticas têm que ser melhor distribuídas pela família para que não sejam as mulheres as eternas sacrificadas”. Por outro lado, o líder socialista voltou a sublinhar os números da violência doméstica, “um combate que tem de nos manter mobilizados”, dando conta de que, em 2019, mais uma vez as mulheres foram as principais vítimas (79%) e os homens os principais agressores (89%).

Na intervenção com que encerrou a iniciativa, António Costa deu especial destaque ao combate à desigualdade salarial entre homens e mulheres. Considerando que nos últimos 3 anos, “quase uma legislatura”, a desigualdade salarial em Portugal foi reduzida em 2%, Costa pede agora maior empenhamento na eliminação dessas desigualdades, rejeitando a ideia de que possa demorar-se “sete legislaturas para eliminar uma desigualdade que neste momento supera os 14%.”

Elza Pais: Foco na “eliminação das desigualdades” e no “trabalho a fazer”

Na sua intervenção, a presidente das MS-ID, Elza Pais, congratulou-se com a criação das estruturas de base concelhia, pedindo às Mulheres Socialistas que “se empenhem a fundo no objetivo de dinamizar estas estruturas”, cuja criação considera “uma conquista em matéria de igualdade que só foi possível graças à visão de António Costa relativamente a estas questões.” Elza Pais deixou “uma palavra de gratidão” também às presidentes Federativas das MS-ID, que “no terreno apoiaram a criação da base concelhia”.

Mas o foco da líder das MS-ID é “a eliminação das desigualdades” e “o trabalho que está por fazer”, pelo que destacou o Projeto de Resolução apresentado pela própria bancada parlamentar socialista, que recomenda ao Governo que “desencadeie os procedimentos necessários para valorizar publicamente as associações de direito privado, designadamente as de caráter cultural, ambiental, sindical, estudantil, juvenil, desportivo social ou humanitário, que promovam o equilíbrio de género nos órgãos da assembleia geral, conselho fiscal e direção”.

Prémio ‘Igualdade e Conhecimento’

As MS-ID assinalaram também o Dia Internacional da Mulher com uma cerimónia de apresentação que incluiu também a entrega do Prémio Igualdade e Conhecimento. Trata-se de “um prémio que visa distinguir mulheres ligadas à Ciência, que, com o seu empenhamento e capacidade, tenham dado um contributo real para o avanço do conhecimento”. Instituído pelas Mulheres Socialistas, o prémio foi atribuído a Andreia Leite, jovem médica de 32 anos, com um mestrado em Bioestatística e Doutorada em Epidemiologia de Vacinas. Especialista em Saúde Pública, é professora auxiliar convidada da Escola Nacional de Saúde Pública. Com dezenas de trabalhos científicos publicados, liderou projetos fora do país, conta dezenas de participações em conferências ao mais alto nível.

A cerimónia, que contou com a participação de mais de 250 mulheres de todo o país, abriu com a recente intervenção do Secretário-geral das Nações Unidas sobre a desigualdade de género, que António Guterres classifica como “não apenas inaceitável”, mas “estúpida”.

O Dia Internacional da Mulher foi instituído em 1975 pelas Nações Unidas e tem como tema, em 2020, ‘Eu sou a Geração Igualdade: concretizar os direitos das mulheres’.