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A derradeira razão para comemorar Abril é o futuro

A derradeira razão para comemorar Abril é o futuro

O vice-presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista Pedro Delgado Alves ressalvou, no Parlamento, que foi graças ao 25 de Abril de 1974 que Portugal se tornou “solidário, com instituições democráticas robustas e um Estado social assente na solidariedade”, não deixando de alertar que “não há qualquer espírito de abril na força bruta para resolver diferendos, nem no desrespeitar da soberania e da integridade dos povos vizinhos”.

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Pedro Delgado Alves, Sessão Solene 25 Abril

Na sessão solene comemorativa do 48º aniversário do 25 de Abril, o deputado do PS confrontou o “Portugal anterior ao 25 de abril de 1974 com as realizações do Portugal democrático e europeu”, asseverando que “uma menina que nasça em abril de 2022 não se confrontará com um regime que lhe diz que não pode ser juíza ou diplomata”, também “não terá de desafiar uma taxa de mortalidade infantil que envergonha o seu país”, nem “conhecerá um país em que 20% de homens e 31% de mulheres são analfabetos”. “Uma menina que nasça em 2022 conhecerá um país em paz” e poderá “viver livremente a sua identidade e orientação sexual”, terá “a garantia de um salário mínimo, a greve como direito, proteção no desemprego”, acrescentou.

“Foi graças ao 25 de Abril que se pôde concretizar o desejo do país de aderir ao projeto democrático europeu e de vencer o atraso a que esteve condenado, edificando um país solidário, com instituições democráticas robustas e um Estado social assente na solidariedade como princípio de verdadeira emancipação”, destacou o dirigente socialista, assinalando que pela primeira vez comemoramos o 25 de Abril “no ano em que os dias em democracia superam o número de dias em ditadura”.

Num discurso em que convocou a memória do Presidente Jorge Sampaio, que, “infelizmente, pela primeira vez, não acompanhará a celebração de Abril”, e que levou a sua vida como um “incansável construtor da democracia”, Pedro Delgado Alves homenageou “todos aqueles que desde a década de 20 do século XX, republicanos, anarquistas, comunistas, socialistas, monárquicos, liberais e democratas de outras extrações mantiveram acesa a chama da esperança de um Portugal livre, desamordaçado enfim, como Mário Soares exigiu e ajudou a concretizar”.

O deputado do PS recordou também Manuel Alegre, que, “há quase 20 anos, desta mesma tribuna, na sessão evocativa dos 30 anos da revolução”, disse que “’o 25 de Abril é daqueles raros dias da vida de um povo em que o futuro está em aberto, indeterminado’, sendo essa ‘abertura inicial que faz com que todos os sonhos sejam possíveis’”. Para o vice-presidente da bancada socialista, a “derradeira razão para comemorar Abril” é “o futuro”.

Manifestando-se “orgulhoso” com o “que realizámos”, Pedro Delgado Alves defendeu que “devemos encarar a função de representação que nos convoca hoje com a humildade que decorre de sabermos que ainda nos falta trilhar caminho e de que, sendo humanos, muitas das nossas realizações não são perfeitas e não estão completas”.

Os inconformados com o que ainda falta fazer correm o risco de ser manipulados pelos inimigos de Abril

O socialista alertou em seguida que “em dias de ameaças populistas e de recurso à simplificação do que é complexo para instigar ressentimentos entre os cidadãos, a qualidade das instituições democráticas nunca foi tão importante, o respeito pelo outro nunca foi tão fundamental, a preservação do Estado social nunca foi tão decisiva para nos imunizar contra esses riscos”.

“Muitos dos inconformados com o que ainda falta fazer, desiludidos com os sonhos ainda por realizar ou descontentes com a qualidade da democracia não são inimigos de abril, mas correm o risco de ser manipulados ou instrumentalizados por aqueles que o são”, salientou.

Pedro Delgado Alves mencionou depois a calamidade que em pleno século XXI está a acontecer na Ucrânia, falando na “cada vez mais urgente necessidade de solidariedade para com aqueles que mundo fora precisam de nós na defesa conjunta de uma ordem internacional baseada em regras comuns, onde se abandona a lei do mais forte”. “Não há qualquer espírito de Abril na força bruta para resolver diferendos, nem no desrespeitar da soberania e da integridade dos povos vizinhos”, garantiu.

Pedro Delgado Alves concluiu a sua intervenção relembrando as “primeiras palavras do nosso atual texto constitucional”, que são, “precisamente, as que enunciam com clareza a centralidade da data libertadora e devem continuar a federar sem qualquer hesitação todos os democratas e todos os que defendem os direitos e liberdades fundamentais”: “A 25 de abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa”.

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