Prova disso mesmo é a Rota pela Economia do Mar, percorrida pelo Secretário-Geral, José Luís Carneiro, neste mês de junho, na qual pretendeu ouvir pescadores, empresários, investigadores, universidades e comunidades costeiras para construir uma proposta política assente na competitividade, na inovação, na sustentabilidade ambiental e na coesão territorial.
Quando completa o primeiro aniversário na função de Secretário-Geral do PS, esta é já a terceira grande iniciativa temática promovida por José Luís Carneiro, depois da Rota pela EN2 e da Rota pelo Ensino e Formação Profissional. Sempre com o objetivo de ouvir os agentes de cada setor e de construir propostas para uma estratégia nacional de desenvolvimento económico.
Portugal possui uma das maiores áreas marítimas da Europa, mas continua a aproveitar apenas uma pequena parte do seu potencial económico. Nesse contexto, a rota pretendeu funcionar como um “farol” para a necessidade de devolver prioridade estratégica ao mar, à economia azul e ao Atlântico como fator de desenvolvimento nacional.
Uma das ideias mais repetidas é a de que Portugal está a desaproveitar um dos seus maiores ativos estratégicos. José Luís Carneiro recordou que a economia do mar representa atualmente cerca de 4% do PIB e do emprego nacional, defendendo que o país deve recuperar a ambição de elevar esse contributo para 7%, através de uma aposta consistente na economia azul, nas novas tecnologias, na ciência e na valorização do potencial atlântico português.
Como José Luís Carneiro tão bem sublinhou na Comissão Nacional do passado domingo, “se a economia cresce menos e perde competitividade, a culpa não é do Partido Socialista”, ou “se Portugal registou um défice superior a 30 mil milhões de euros nas exportações de bens em 2025, a culpa não é do Partido Socialista”, e até “se o investimento direto estrangeiro caiu mais de 5 mil milhões de euros, a culpa não é do Partido Socialista”. São tudo falhanços do Governo. Do Governo da AD, responsável por as famílias viverem pior, por a habitação continuar inacessível e por a saúde continuar a falhar.
Um exemplo de como o Governo navega à vista e sem visão estratégica: há dias, Montenegro anunciou um fundo soberano. Espanto!
Ora, no passado (2023), o PS tinha proposto um fundo estruturante, mas esse era um fundo com fundos, criado para acolher o superavit do país (entretanto dizimado): seriam dois mil milhões de euros iniciais para, no futuro (agora, em 2026), começar a acudir a investimentos contracíclicos, sobretudo num cenário pós-PRR e de eventual diminuição dos fundos europeus destinados às áreas da coesão.
Hoje temos uma proposta apresentada pelo Governo para a criação de um fundo soberano que é uma incógnita: com que fundos e para quê, em concreto? Provavelmente, não passará de uma proclamação política, integrada numa qualquer estratégia de comunicação, para passar o tempo até ao slogan seguinte…