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Temos a missão de cuidar a todo o tempo da democracia

Temos a missão de cuidar a todo o tempo da democracia

O presidente do PS, Carlos César, afirmou esta quarta-feira, na noite comemorativa do 50º aniversário da fundação do partido, que é missão do Partido Socialista “cuidar a todo o tempo do Portugal democrático”, defendendo que os socialistas são a força essencial para impedir a ascensão da extrema-direita no país.

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Carlos César

“O Portugal democrático, que venceu o Portugal amordaçado, tem valido a pena. Tem de valer a pena e temos de cuidar a todo o tempo dele. Essa é cada vez mais uma missão deste nosso PS, uma missão que este partido tem de voltar a ser vencedor”, declarou Carlos César, no discurso inaugural do jantar comemorativo dos 50 anos do PS, que encheu o pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.

Na sua intervenção, em que começou por dirigir uma saudação a todos os antigos secretários-gerais, evocando, em particular, Mário Soares, “a nossa referência para sempre”, Carlos César acentuou que o PS “foi sempre decisivo nas grandes mudanças positivas que o país conheceu no último meio século”.

Para o presidente dos socialistas, o PS “continua a ser uma força cívica essencial – uma força sensível às mudanças e, por isso, à sua própria mudança com a compreensão e resposta necessárias aos novos problemas e aos novos desafios com que nos confrontamos”.

Um legado e uma responsabilidade, como sublinhou o presidente socialista, que deve ser seguido e tem sido seguido pelo Governo liderado por António Costa.

“Podemos dizer que fomos – e devemos procurar continuar a ser – um porto de abrigo da confiança dos portugueses. Ainda na segunda-feira voltámos a demonstrar isso com os aumentos das pensões para os nossos reformados”, referiu.

Depois de observar que o PS é o partido socialista europeu com a maior representatividade parlamentar, tendo um Governo suportado por uma maioria absoluta, Carlos César apontou, igualmente, outro desafio que hoje se coloca no combate político.

“Somos a força partidária sobre a qual se tem a certeza que mais pode e mais quer impedir a ascensão ao poder da direita radical e da extrema-direita”, afirmou.

Assinalando que a extrema-direita, “no nosso país, pese embora a sua arrogância e estridência, está felizmente, por enquanto, abaixo da dimensão da maior parte dos partidos congéneres na Europa”, Carlos César não deixou de apontar uma farpa à “benevolência” com que essa extrema-direita é tratada pela direita democrática em Portugal.

“Compete-nos prosseguir com humildade e audição democráticas, corrigindo as desigualdades e melhorando os resultados da governação”, sustentou o presidente do PS.

PS nasce do combate à ditadura e para instaurar a democracia

Também Jaime Gama, antigo presidente da Assembleia da República e histórico militante socialista, recordou a característica que faz do PS um partido único na história política portuguesa, que foi o ter nascido da resistência e da oposição à ditadura, mas também pela instauração de uma democracia.

“É um partido que nasce, não da evolução de um regime autoritário, mas da resistência, da oposição a esse regime autoritário”, disse, observando que esta memória é importante para “definir os espaços”.

Em segundo lugar, disse ainda, o PS “combateu a ditadura, resistiu à ditadura, mas fê-lo para instaurar, não outra ditadura, mas uma democracia” e “isso também marca muita coisa”.

Na sua intervenção, Jaime Gama recordou e salientou o “longo trabalho” que antecedeu a fundação do PS em 1973, “que reuniu muita gente sob a liderança incontestável e a força da natureza inquestionável e indomável de Mário Soares”, lembrando, depois, o “período apaixonante” em que o PS definiu a sua “visão conjunta para o país”.

Para Jaime Gama, “não há partido político sem uma ideia política”, sendo esta “a questão principal” num partido: “congregar, sintetizar, traçar a estratégia e seguir em frente”.

“Por isso, a política tem momentos difíceis, tem momentos menos felizes, tem momentos mais dramáticos, tem momentos mais solitários e tem momentos de grande entusiasmo coletivo, porque o final de qualquer política democrática é sempre a de testar a nossa capacidade no voto, porque o voto é o que define, ao final, qual é o grau da nossa capacidade de comunicar, convencer, levar as pessoas para as nossas causas”, acrescentou.

Jaime Gama terminou a sua intervenção estabelecendo uma comparação entre a política e a música, invocando a “célebre confrontação” entre Salieri e Mozart. “Nós na política também precisamos de estar sempre do lado do Mozart, para não cair no lado do Salieri. Portanto, aquilo que eu desejo no dia de aniversário, no dia dos 50 anos do PS, ao António Costa, ao Carlos César, que simbolizam o PS, a nós todos, é que permaneçamos sempre do lado do Mozart e que também nos ajude a sorte”, declarou.

“Bem-haja o PS pelo que fez pelo país, e bem-haja o país que também permitiu que houvesse aqueles que cumprissem o seu dever perante o país fundando o PS”, concluiu.

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