Na abertura da Comissão Nacional do PS, este domingo, em Lisboa, José Luís Carneiro começou por recordar que assumiu a liderança do partido com o único compromisso de “servir Portugal”, garantindo que, em todas as decisões tomadas ao longo deste primeiro ano, colocou “sempre o interesse do país acima de qualquer interesse partidário ou pessoal”.
O Secretário-Geral socialista destacou, como uma das principais conquistas recentes, o facto de o partido ter impedido a concretização da contrarreforma laboral proposta pelo Governo da AD e de ter garantido alterações que asseguram uma implementação mais justa e transparente da Prestação Social Única (PSU).
Classificando esse desfecho como “uma vitória do Partido Socialista”, José Luís Carneiro frisou que se tratou igualmente de “uma vitória de 5 milhões, 334 mil e 700 trabalhadores”, de milhares de famílias e da “dignidade do trabalho e da justiça social”.
“Os portugueses podem contar com o Partido Socialista”, garantiu, sublinhando que o trabalho desenvolvido demonstra que o PS está preparado para apresentar soluções concretas para as preocupações e necessidades das famílias.
Quatro prioridades para responder aos problemas do país
Considerando que o trabalho do PS “está longe de terminar”, o líder socialista definiu quatro grandes prioridades para os próximos meses.
A primeira passa pela apresentação de uma proposta económica orientada para o aumento da produtividade e da competitividade, centrada na investigação, na inovação tecnológica, na qualificação dos trabalhadores e na diversificação dos mercados externos, com José Luís Carneiro a insistir na necessidade de assegurar que o crescimento económico caminhe lado a lado com a valorização do trabalho.
A segunda prioridade está focada na redução do impacto do aumento do custo de vida. Neste domínio, o líder socialista acusou o executivo de Luís Montenegro de ter erguido “um muro de insensibilidade perante as dificuldades das famílias”, criticando fortemente o agravamento da carga fiscal sobre os combustíveis, que deplorou por ser “uma forma de retirar rendimento aos portugueses”.
Entre as prioridades apresentadas figura ainda a valorização das pensões mais baixas, defendendo que os pensionistas precisam de respostas concretas para fazer face ao aumento do custo de vida.
Por último, José Luís Carneiro exigiu maior sensibilidade e competência do Governo para enfrentar três das principais preocupações dos portugueses — habitação, rendimentos e saúde —, considerando que estes domínios exigem políticas eficazes e não opções marcadas por disputas ideológicas.
“O Governo não está a funcionar”
No discurso de abertura da Comissão Nacional, José Luís Carneiro traçou um balanço particularmente crítico da atuação do executivo da AD, lamentando os “dois anos perdidos” para o país.
“Senhor primeiro-ministro, Luís Montenegro, tire a cabeça da areia. O seu Governo não está a funcionar”, enfatizou, contrapondo que o PS, na oposição, apresentou propostas concretas e oportunas, como as respostas defendidas para os incêndios, a habitação, a saúde, a justiça, a economia do mar, a defesa ou o Orçamento do Estado.
“Sempre que Portugal enfrentou momentos difíceis, estivemos presentes. Nós apresentámos soluções concretas e em tempo útil”, lembrou, acrescentando que “o Governo não funciona”, mas “o Partido Socialista tem demonstrado que existe uma alternativa sólida, responsável e credível”.
Na parte final da intervenção, José Luís Carneiro responsabilizou o executivo pelos problemas económicos e sociais que o país enfrenta, desde a perda de competitividade ao agravamento das dificuldades das famílias, defendendo que os portugueses reconhecem que existe uma alternativa política.
O líder socialista criticou ainda a relação entre a AD e o Chega, acusando os dois partidos de protagonizarem sucessivas aproximações e afastamentos, enquanto deixam por resolver os problemas concretos das populações.
“Os portugueses podem não acompanhar todas as manobras políticas da AD e o Chega e nem perceber o namoro que umas vezes é feito com beijos, outras vezes é feito com amuos”, afirmou, sustentando que os cidadãos sabem distinguir quem está verdadeiramente focado em apresentar soluções.
Neste contexto, reforçou que o PS constitui “uma alternativa sólida, responsável e credível” para governar.
“Podem confiar em mim. Podem confiar no Partido Socialista. Podem confiar no nosso compromisso com Portugal”, concluiu, reiterando a ambição de construir “um país que cria mais riqueza, distribui melhor essa riqueza” e onde “ninguém fica para trás”.