Ao percorrer escolas profissionais, centros de formação e instituições de ensino de norte a sul do país, esta iniciativa colocou no centro do debate nacional uma realidade muitas vezes esquecida: centenas de milhares de jovens e trabalhadores procuram oportunidades concretas de valorização pessoal e profissional, esperando que o país seja capaz de lhes oferecer perspetivas de estabilidade, reconhecimento e futuro.
Durante demasiado tempo, o ensino profissional foi injustamente tratado como uma via secundária. Esse preconceito social não apenas desvaloriza talentos, como limita o próprio desenvolvimento económico do país. Hoje sabemos que as economias mais competitivas da Europa são precisamente aquelas que melhor articulam formação técnica, inovação, empresas e qualificação avançada.
A Rota pelo Ensino e Formação Profissional mostrou exemplos concretos dessa articulação virtuosa. Em Braga, Serpa, Évora, Oliveira do Hospital, Setúbal, Matosinhos, Trofa, Celorico de Basto ou Lisboa, ficou evidente que existe um país empreendedor, inovador e profundamente comprometido com a formação das novas gerações. Escolas, empresas, autarquias e comunidades locais demonstram diariamente que é possível construir emprego qualificado e desenvolvimento territorial a partir do investimento no conhecimento.
Esta visão contrasta com respostas simplistas assentes na desregulação laboral e na fragilização dos direitos dos trabalhadores. Um país mais competitivo não se constrói pela desqualificação das relações laborais, mas sim pelo reforço das competências, da produtividade e da inovação.
Valorizar o ensino profissional é também valorizar a dignidade do trabalho. É reconhecer que cada jovem deve poder escolher livremente o seu percurso sem estigmas nem hierarquias artificiais entre diferentes formas de conhecimento. E é compreender que a coesão territorial depende, em larga medida, da capacidade de fixar talento, criar oportunidades e gerar esperança em todas as regiões do país.
Mais do que uma agenda setorial, esta rota representa uma ideia de país: um Portugal mais qualificado, mais justo e mais preparado para competir num mundo em rápida transformação. Um país que aposta nas pessoas como o seu principal recurso estratégico.
É esse o caminho que importa continuar a construir. E Maio foi o mês de o sublinhar. Mês que terminou com a publicação da encíclica papal sobre o dignidade humana e as ameaças da inteligência artificial. Documento que moldará o futuro e para o qual tão bem o Ascenso Simões aqui chamou a atenção. “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar” (um verso célebre da “Cantata da Paz”, poema escrito por Sophia de Mello Breyner Andresen).