Em declarações aos jornalistas, José Luís Carneiro sublinhou que “o PS reconhece o papel central desta ligação”, promovendo, por isso, um espaço e um tempo para “ouvir quem ensina, quem aprende e quem emprega, de forma a ajudar a construir um sistema educativo que responda às necessidades do mercado e valorize o talento de cada um”.
A jornada inaugural deste périplo arrancou em Braga, com visitas à Escola Industrial DST e à Escola Profissional Amar Terra Verde, instituições que, apontou o líder socialista, “exemplificam um modelo de ensino alinhado com as exigências da economia e centrado na valorização das competências técnicas”.
A componente prática da formação ficou patente durante o almoço servido pelos alunos do curso de Cozinha e Restauração, evidenciando o papel determinante do ensino profissional na preparação dos jovens para contextos reais de trabalho.
Durante a visita, José Luís Carneiro defendeu que “num mercado de trabalho cada vez mais exigente, valorizar o ensino e a formação profissional é uma prioridade estratégica”.
“A articulação direta entre estas estruturas e o mundo empresarial é o que garante que os nossos jovens saem preparados para os desafios reais da economia”, acrescentou.
Já num enquadramento mais amplo, o Secretário-Geral do PS alertou para a persistência de barreiras culturais que continuam a desvalorizar a via profissionalizante.
“Há um estigma social em relação ao ensino profissional”, observou, vincando que a escolha de percursos mais práticos não limita o acesso a níveis superiores de educação, antes o amplia.
Por isso, prosseguiu, “temos de ser capazes, enquanto sociedade, de quebrar esse estigma”.
Ao sustentar a necessidade de apostar numa estratégia integrada, o líder do PS reforçou que “a segunda grande prioridade nacional” em matéria de desenvolvimento justo e sustentável passa por “garantirmos que há uma boa articulação entre a formação e as necessidades do tecido empresarial e do tecido económico”.
Este alinhamento, insistiu, é “essencial para elevar a produtividade e a competitividade do país”.

Competitividade exige mais formação e menos precariedade
No plano político, José Luís Carneiro criticou a orientação seguida pelo executivo da AD, contrapondo que o futuro da economia portuguesa exige um investimento consistente na qualificação e não a imposição de reformas laborais que penalizam quem trabalha.
“O objetivo é um e é claro: nós, para termos um país mais produtivo, mais competitivo na sua economia, temos necessidade de apostar na formação e na qualificação, bem como na reconversão profissional, e não, contrariamente àquilo que está a fazer o Governo, na desqualificação das leis laborais e na retirada de direitos laborais aos trabalhadores”, enfatizou.
Neste contexto, o Secretário-Geral destacou que a iniciativa agora lançada pelo PS assume também como prioridade dar resposta a um dos desafios mais exigentes da sociedade portuguesa: o elevado número de jovens que permanecem fora do sistema de ensino e do mercado de trabalho.
“O meu dia é dedicado a valorizar as oportunidades de vida de 140 mil jovens que aguardam por oportunidades no seu país”, assinalou, alertando que tal situação constitui “um drama para esses jovens, para as suas famílias, para a democracia e para o Estado de direito, que não consegue responder a 140 mil jovens”.
