O Secretário-Geral do Partido Socialista defendeu, esta segunda-feira, em Matosinhos, a necessidade urgente de uma política económica orientada para o investimento, a inovação e a valorização dos setores estratégicos do país, criticando o Governo da AD por privilegiar sucessivos anúncios em detrimento da resolução dos problemas concretos que afetam as famílias, os jovens e as empresas.
À margem de uma visita à empresa conserveira Ramírez, o líder do PS sustentou que o executivo chefiado por Luís Montenegro se tornou “especialista no anúncio de pacotes”, lembrando que, em pouco mais de dois anos, já foram apresentados cerca de 25 conjuntos de medidas sem que sejam conhecidos resultados que permitam responder aos principais desafios nacionais.
Referindo-se às propostas anunciadas por Luís Montenegro no encerramento do congresso do PSD, o Secretário-Geral socialista lamentou que continuem por esclarecer as soluções para áreas essenciais da vida das pessoas e da governação do país, como habitação, saúde, salários, a atração e retenção de talento jovem e a erosão da competitividade das empresas nacionais nos mercados externos.
“Eu gostava de ouvir o primeiro-ministro falar daquilo que importa às pessoas, sobre como vai responder às necessidades de habitação, da saúde, como vai responder às necessidades do aumento dos salários e da fixação dos mais jovens e como é que, já agora, vai responder à economia portuguesa, que está a perder competitividade nos mercados internacionais”, afirmou.
No plano estrutural, José Luís Carneiro voltou a sublinhar a importância de implementar em Portugal uma estratégia de valorização da economia do mar e das energias sustentáveis, considerando essencial reforçar a capacidade produtiva nacional e criar condições para um crescimento mais robusto.
Lamentou, por isso, não ter ouvido Luís Montenegro explicar “o que é que está a ser feito para valorizar a economia do mar” e potenciar um setor com elevado peso na criação de riqueza e emprego.
Sobre as dificuldades que persistem e se agravam no Serviço Nacional de Saúde, o líder do PS recordou que o atual Governo prometera soluções rápidas para o setor, considerando incompreensível que, passados dois anos, ainda continue a procurar responsabilizar executivos anteriores.
“É o Governo que tem de responder pelas dificuldades”, vincou.
Apoiar quem investe e cria emprego
A visita à Ramírez serviu ainda para sublinhar a importância de apoiar as empresas exportadoras e os setores tradicionais que souberam inovar.
Apontando a histórica conserveira – presente nos mercados da Europa, das Américas, de África e da Ásia – como uma das melhores marcas nacionais ligadas à economia do mar, José Luís Carneiro destacou “a importância estratégica de investir e responder a empresários que criam postos de trabalho e que carecem de respostas do Governo”, acrescentando que “o problema é que isso não está incluído nas oito ou nove medidas que foram anunciadas no congresso do PSD”.
Referindo-se à Ramírez, que já vai na sexta geração e regista vendas anuais de cerca de 30 milhões de euros, salientou que esta empresa constitui um exemplo de como um setor tradicional conseguiu modernizar-se, nomeadamente através da aposta nas energias renováveis, reduzindo a dependência energética e aumentando a sua eficiência.
Neste contexto, José Luís Carneiro insistiu em que uma das prioridades nacionais deve passar pela incorporação de mais tecnologia no tecido empresarial português e pelo reforço da ligação entre o sistema produtivo e as universidades e centros de conhecimento do país, de forma a aumentar a competitividade da economia e criar mais valor em Portugal.