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Investimento de 7 mil ME para a defesa e valorização da floresta nacional

Investimento de 7 mil ME para a defesa e valorização da floresta nacional

O primeiro-ministro, António Costa, foi à Lousã anunciar um investimento público na floresta de sete mil milhões de euros até 2030, dinheiro que ajudará a prevenir e a combater os incêndios florestais, mas sobretudo, como salientou, para apoiar a “transformação estrutural da floresta” nacional.
Governo anuncia criação de empresa de gestão florestal

De acordo com o primeiro-ministro, o documento que está a ser coordenado pela Agência de Gestão Integrada de Fogos Florestais, e que se encontra em discussão pública, prevê que o Governo invista na prevenção e em equipamento de combate aos incêndios florestais, nos próximos nove anos, cerca de sete mil milhões de euros, sendo que a prioridade deste investimento, como referiu, será sobretudo dirigido para ajudar a alterar o modelo predominante da monocultura, criando a médio prazo um novo “mosaico na paisagem”, onde possam coexistir as “árvores de crescimento rápido e as autóctones”.

Nesta deslocação ao município da Lousã, no distrito de Coimbra, o primeiro-ministro anunciou que as organizações de produtores florestais e as comunidades intermunicipais vão dispor de uma bolsa de maquinaria para a gestão dos espaços florestais, desde logo com a distribuição de 63 máquinas pesadas, num investimento que ronda “os cerca de 12 milhões de euros”, financiados pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, pelo Fundo Florestal Permanente e pelo Programa de Estabilização Económica e Social.

António Costa defendeu que a floresta tem de ser de novo “uma fonte de riqueza”, de bem-estar para as populações e para o repovoamento das regiões do interior do país, garantindo que o investimento previsto na floresta até ao final da década poderá criar “60 mil novos postos de trabalho”. A floresta portuguesa, garantiu, “tem de deixar de ser uma ameaça para passar a ser um valor acrescentado”.

Segundo o primeiro-ministro, é muito difícil perceber, não só pelos portugueses, mas também a nível internacional, que tendo o país uma indústria de mobiliário tão “forte, robusta e competitiva” e com uma expressão significativa no estrangeiro, não possa utilizar, como devia, a totalidade da madeira da sua própria floresta e se veja obrigado a recorrer à importação, pela razão simples, como aludiu, de que “deixa arder a sua floresta”.

Garantindo António Costa, a este respeito, que a forma de alterar a atual situação passa, em grande medida, pela “reforma da floresta”, designadamente com a certificação da madeira das florestas nacionais, permitindo que num prazo razoável, possa haver uma diminuição das importações desta matéria prima.

Do mesmo modo que também não faz sentido, ainda segundo o primeiro-ministro, que numa altura em que o país se mobiliza para investir na bioeconomia, se assista ao desaproveitamento de parte significativa da massa florestal, “que é um combustível potencial”, não a aproveitando, “como seria admissível”, como um produto de “maior valor acrescentado” ou para a “reciclagem de indústrias como a do têxtil ou a do calçado”.

Investimento ímpar

Também o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, deixou a garantia de que o Governo vai honrar o compromisso de aumentar o investimento público na defesa e na valorização da floresta portuguesa.

Um investimento, como fez questão de mencionar, “como nunca foi feito no passado”, e que começa a ter forma, como referiu, com a entrega às associações de produtores florestais e às comunidades intermunicipais de “um número muito grande de máquinas”, que serão instrumentos fundamentais, quer para o combate aos incêndios, como “para a gestão de combustível”, e por essa forma, “fazer a prevenção estrutural contra os incêndios”.

Ainda segundo o ministro do Ambiente, estas novas máquinas que vão ser postas ao serviço da prevenção e da limpeza das florestas, serão distribuídas aos produtores florestais de norte a sul do território nacional continental, apesar de neste momento tudo indicar, como referiu, que a maior procura deverá situar-se “nas regiões Norte e Algarve, que é onde o risco de incêndio é maior”.