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Investimento de 1.000 ME em Sines traça caminho da estratégia europeia de autonomia energética

Investimento de 1.000 ME em Sines traça caminho da estratégia europeia de autonomia energética

O primeiro-ministro, António Costa, reiterou em Sines o caráter “prioritário” do investimento na transição energética, na produção própria de energia na Europa e na diversificação das rotas de abastecimento, saudando como um “passo histórico” a decisão de Bruxelas em assumir a aposta estratégica no aumento das interconexões ibéricas.

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António Costa, Sines

“Hoje, ninguém pode ter dúvidas, é mesmo prioritário investir na transição energética, é mesmo prioritário apostar na produção própria de energia na Europa, através das energias renováveis, é fundamental diversificarmos as rotas de abastecimento”, disse o líder do executivo socialista.

Falando no Centro de Negócios da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), no distrito de Setúbal, onde foi lançado, na passada sexta-feira, o projeto Madoqua Power2x, de produção de hidrogénio e amónia verdes, António Costa lembrou que as consequências do contexto de guerra na Ucrânia vieram reforçar a evidência de que não há autonomia estratégica da Europa se não houver segurança energética.

“E para haver segurança energética da Europa, em primeiro lugar, é fundamental que a Europa aposte na energia que a própria Europa pode produzir e nós podemos produzir muita da energia de que dependemos”, apontou.

O primeiro-ministro deu, a este propósito, o exemplo do caminho que Portugal tem vindo a fazer, utilizando hoje cerca de “60% de energias renováveis na eletricidade que consome”, projetando-se que, dentro de quatro anos, “80 por cento da eletricidade consumida terá por fonte as energias renováveis produzidas” no país.

“Isto é muito importante do ponto de vista ambiental, mas é decisivo também do ponto de vista económico, porque significa que vamos importar muito menos energia e vamos produzir nós próprios muito mais da energia que consumimos”, frisou.

Para António Costa, este é um esforço que tem de ser feito “à escala europeia”, considerando que, se tivesse sido feito, no passado, hoje haveria menos dependência de “outros fornecedores externos à União Europeia”, uma lição que “vale a pena não esquecer” no futuro.

O líder do executivo apontou ainda que, em matéria de diversificação de fontes de abastecimento, “Portugal pode ajudar também a que isso aconteça”.

“Temos excelentes condições, como está provado com este projeto, para produzirmos aqui energia, mas também temos aqui excelentes condições para ser o porto de acolhimento, o porto de armazenamento ou o porto de ‘transhipping’ de Gás Natural Liquefeito que pode vir das múltiplas rotas atlânticas e das múltiplas origens”, afirmou.

“Passo histórico” na Europa

No âmbito de uma estratégia energética integrada, António Costa considerou também ter sido “um passo histórico” a decisão da Comissão Europeia pelo aumento das interconexões energéticas entre a Península Ibérica e o resto do mercado europeu.

“Há muito tempo que estas interconexões estão bloqueadas, quer as elétricas, quer por via de ‘pipeline’ para o fornecimento de gás natural”, disse o líder do executivo, considerando ser esta uma infraestrutura “da maior importância”.

O projeto Madoqua Power2x, agora lançado em Sines, representando um investimento no valor de 1.000 milhões de euros, vai ser concretizado através de um consórcio internacional liderado pela empresa portuguesa Madoqua Renewables, prevendo a construção de uma primeira unidade de produção de hidrogénio e amónia verdes, e o início da produção em fevereiro de 2024.

“É um excelente exemplo do que é a União Europeia, de como é possível encontrar e cooperar entre três países de uma fachada Atlântica, desde o mais nórdico, na Dinamarca, ao centro da Europa, os Países Baixos, até ao extremo sul ocidental da Europa, aqui em Portugal”, afirmou.

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