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“Há falta de liderança do Governo para responder aos problemas do país”

“Há falta de liderança do Governo para responder aos problemas do país”

A descoordenação política na liderança de Luís Montenegro está no centro das dificuldades do Governo e levanta dúvidas sobre a sua capacidade para responder aos problemas do país. É esta a avaliação de José Luís Carneiro, que, em entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias, considera que uma eventual remodelação do executivo da AD poderá não ser suficiente para inverter o atual rumo da governação.

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“O que hoje é evidente é que há uma falta de liderança do Governo e uma falta de coordenação e de comando político no Governo. E o comando político, a liderança política do Governo, compete ao primeiro-ministro”, afirmou o Secretário-Geral do Partido Socialista, sublinhando que as dificuldades identificadas não se esgotam na composição da equipa governativa.

O líder do PS fundamentou a sua avaliação com exemplos de sucessivas falhas na resposta do executivo de Luís Montenegro a situações particularmente exigentes para o país como o apagão, os incêndios de 2025, as tempestades e a situação de alerta durante o verão, bem como a crise dos exames escolares.

Em todos estes episódios, apontou, houve problemas de preparação, insensibilidade política, falhas na coordenação e na capacidade de resposta.

“Já não sei se uma remodelação será suficiente para que o Governo consiga responder às dimensões críticas em áreas nevrálgicas da vida do país, para que os portugueses possam estar tranquilos sobre o modo como o Governo responde às suas necessidades”, declarou.

Para o líder socialista, a responsabilidade pela condução política do executivo não pode ser dissociada do primeiro-ministro. E a sucessão de dificuldades em áreas fundamentais, como a segurança e a proteção civil, demonstra, na sua leitura, a necessidade de uma liderança capaz de antecipar problemas, coordenar respostas e assumir responsabilidades perante os portugueses.

Estabilidade vai depender da atuação do Governo

Apesar das críticas à governação, José Luís Carneiro reafirmou que o PS tem procurado colocar-se “do lado das soluções” e contribuir para a estabilidade política, recordando que os socialistas já viabilizaram dois Orçamentos do Estado apresentados pelo Governo de Luís Montenegro e se preparam para permitir a aprovação da proposta orçamental para 2027, através da abstenção.

Advertiu, contudo, que a continuidade dessa disponibilidade “vai depender mais do Governo e do primeiro-ministro e, já agora, do seu grupo parlamentar, do que propriamente do Partido Socialista”.

O Secretário-Geral voltou também a sublinhar que a estabilidade política não pode ser entendida como um fim em si mesmo, desligado das necessidades concretas da população.

Neste contexto, recordou os quatro compromissos assumidos por Luís Montenegro como condição para a disponibilidade do PS para viabilizar o Orçamento: a participação determinante dos socialistas na revisão constitucional, a garantia de que o Governo não privatizará as pensões, a continuidade dos compromissos do PRR com autarquias e instituições sociais e o financiamento da recuperação dos municípios afetados pelas tempestades.

A este propósito, José Luís Carneiro sublinhou ainda que espera que o primeiro-ministro cumpra “escrupulosamente” as garantias assumidas, defendendo que a responsabilidade política exige compromissos claros e respeito pela palavra dada aos portugueses.

Bloco central não é desejável para o país

Na entrevista, o líder socialista afastou expressamente a possibilidade de um bloco central com o PSD, mesmo num cenário em que essa solução fosse apresentada como forma de impedir o Chega de chegar ao Governo.

“Não é desejável um bloco central”, frisou, defendendo que o PS deve afirmar-se como “uma alternativa de confiança, uma alternativa sólida, para governar o país”.

José Luís Carneiro considera fundamental que PS e PSD continuem a apresentar-se como “polos democráticos de alternativa”, com projetos políticos próprios e respostas distintas para os problemas nacionais.

Na Assembleia da República, garantiu, os socialistas continuarão a viabilizar as medidas com que concordam e a opor-se àquelas de que discordam, apresentando propostas alternativas.

O Secretário-Geral foi igualmente claro quanto à necessidade de reciprocidade por parte dos sociais-democratas e, caso o PS vença as próximas eleições legislativas, espera que o PSD permita a formação e o exercício de funções de um governo socialista, mesmo sem maioria absoluta.

“Aquilo que nós aguardamos da parte do PSD é que cumpra o princípio da reciprocidade, apoiando o PS a formar governo e a governar”, afirmou.

Deixou igualmente uma garantia sobre a sua própria postura institucional: “Se vier a ser eleito primeiro-ministro, procurarei, não tendo maioria, nos partidos democráticos o suporte para as opções de política para o país”.

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