Durante o encerramento do debate sobre o Estado da Nação, na quinta-feira, Eurico Brilhante Dias focou-se na área da educação para constatar que “décadas de confiança num sistema foram atiradas para o lixo”. Para o líder parlamentar do PS, instalou-se uma “barafunda” depois da “terraplanagem do Ministério da Educação”.
No caos que se instalou no país com a correção dos exames nacionais do secundário, o ministro da tutela “antes de assumir as suas responsabilidades, jogou o jogo do passa-culpas” e “até os agrafadores tinham culpa”, criticou.
“No meio desta confusão, os professores deste país não vão esquecer-se que o Governo tentou que a responsabilidade fosse sua”, assegurou.
Eurico Brilhante Dias constatou que, durante o debate desta tarde, saiu uma notícia que adiantava que o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) desmentiu o ministro da Educação e que, afinal, será necessário realizar um requerimento para poder aceder às provas após a correção. E acusou o executivo de “falta de competência”.
Dirigindo-se a Fernando Alexandre, o presidente da bancada do PS assinalou que “é um homem conhecido por defender muitas das teses neoliberais”, entre elas a meritocracia. “Se respeita a meritocracia, sabe que esse lugar que ocupa já não devia ser ocupado por si”, atacou.
Governo assenta a estratégia numa fezada
Rotulando o Governo da AD com a marca da “insensibilidade”, Eurico Brilhante Dias garantiu que o executivo “assenta a sua estratégia numa fezada, com amuletos de pouca eficácia, onde a cada problema surge uma desculpa”.
“O Governo da AD anda a jogar às escondidas com os portugueses nas tempestades, no apagão, nos incêndios, na barafunda dos exames nacionais, na morte trágica na sequência da greve do INEM, ou na execução do PRR”, enumerou.
Citando o social-democrata Aníbal Cavaco Silva, o líder parlamentar do PS asseverou que “um Governo que, passados seis meses, se desculpa com o Governo anterior, passa a si próprio um atestado de incompetência”.
No final da sua intervenção, Eurico Brilhante Dias avisou que “a vida dos portugueses não é um jogo de casino – nem podemos depender de quem acha que vai ter sorte ao jogo” – e comentou que “há cada vez mais portugueses a perceber que só com o PS voltarão a ter um Governo que governe para todos”.