No discurso de encerramento proferido esta terça-feira, José Luís Carneiro defendeu que os dias de trabalho no terreno confirmaram as dificuldades sentidas pelas famílias, garantindo que o PS continuará a colocar as pessoas no centro da sua ação política.
Ao sublinhar que as jornadas socialistas permitiram ouvir trabalhadores, empresários, estudantes, profissionais e instituições sociais, o Secretário-Geral do PS assegurou que o partido está focado em preparar o futuro do país.
“Não estivemos preocupados em construir uma alternativa para ganhar eleições. Estivemos e estamos concentrados em construir uma alternativa para servir Portugal. Uma alternativa séria. Credível. Consistente. Uma alternativa que coloque as pessoas em primeiro lugar”, vincou.
José Luís Carneiro traçou de seguida um retrato crítico da situação económica e social do país, alertando para o agravamento do custo de vida e para o aumento do endividamento das famílias portuguesas que, enfatizou, reflete as crescentes dificuldades em suportar “despesas essenciais”.
Criticou igualmente a opção do executivo de Luís Montenegro de aumentar a receita fiscal proveniente dos combustíveis, defendendo que “as famílias precisam de mais apoio e não de mais impostos”.
Saúde e habitação exigem respostas urgentes
Na área da saúde, o líder socialista acusou o Governo de não cumprir a promessa de garantir médico de família a todos os portugueses, apontando como exemplo a situação verificada na Unidade de Saúde do Lumiar, onde a esmagadora maioria dos 30 mil utentes continua sem esse acompanhamento.
Esta realidade demonstra, frisou, que o problema reside na incapacidade do executivo da AD para reforçar o Serviço Nacional de Saúde e não na pressão migratória.
“O que aqui está em causa é mesmo a incapacidade e a incompetência do Governo para responder às necessidades da Saúde”, acusou, deixando simultaneamente uma palavra de reconhecimento aos profissionais de saúde que continuam a assegurar o funcionamento do SNS apesar da escassez de recursos.
Na habitação, o Secretário-Geral contrapôs as dificuldades atualmente sentidas pelas famílias ao trabalho desenvolvido pelos governos socialistas, salientando que muitos dos investimentos atualmente em execução, “literalmente por todo o país”, resultam do planeamento realizado pelo PS.
Acusou, por isso, o atual executivo de não dar seguimento ao trabalho deixado pelos governos socialistas, lembrando que continuam por entregar às populações empreendimentos habitacionais já concluídos.
Responder ao custo de vida e reforçar os serviços públicos
José Luís Carneiro abordou ainda a situação dos transportes, valorizando os investimentos realizados pela anterior governação do PS na ferrovia e defendendo que o Governo deve prestar esclarecimentos sobre o futuro das concessões, garantindo sempre a segurança e a qualidade do serviço prestado aos passageiros.
Quanto ao aumento do custo de vida, reiterou que o Partido Socialista voltará a apresentar propostas destinadas a proteger famílias e pensionistas dos efeitos da inflação e da guerra, desafiando os partidos que anteriormente as rejeitaram a mudar de posição.
“Chega um momento em que é preciso escolher: ou se está do lado das famílias, ou se está do lado da propaganda”, atirou.
O líder socialista aproveitou ainda para manifestar preocupação com os problemas registados na classificação dos exames nacionais, deplorando o facto de milhares de jovens e famílias viverem dias de ansiedade devido à demora na resposta por parte do Governo da AD, “num momento decisivo para o acesso ao ensino superior”.
No encerramento das Jornadas Parlamentares, José Luís Carneiro reiterou que o PS continuará a percorrer o país e a apresentar soluções para os principais problemas dos portugueses.
“Portugal precisa de respostas. Precisa de competência. Precisa de um Governo que governe. É para isso que estamos a trabalhar. Não para vencer eleições. Mas para merecer a confiança dos portugueses e servir Portugal”, concluiu.