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É preciso voltar a governar para as pessoas com um novo contrato social na Europa

É preciso voltar a governar para as pessoas com um novo contrato social na Europa

O cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu, Pedro Marques, defendeu ontem, numa conferência em Lisboa, que o combate ao crescimento dos populismos, que ameaça corroer as democracias, passa, em grande medida, pela capacidade da esquerda europeia em afirmar os seus valores progressistas, através um novo pacto promotor de crescimento, emprego e coesão social, respondendo aos anseios dos cidadãos europeus.
É preciso voltar a governar para as pessoas com um novo contrato social na Europa

“Os populismos encontram pasto sempre que as democracias deixam de governar resolvendo e melhorando a vida das pessoas, em particular das classes médias. Durante cerca de uma década foi o que aconteceu [na Europa]. Por isso, é preciso regressar ao tempo em que se governava para as pessoas. E esse é o tempo daquele grande pacto, das democracias e das instituições europeias, com as classes médias, a que se chamou modelo social europeu”, disse Pedro Marques, intervindo na abertura da conferência “A Esquerda contra o Populismo na Europa”, que trouxe a Portugal, como oradora convidada, a professora universitária norte-americana Sheri Berman.

Para o número um da lista socialista às eleições europeias, “o populismo é de facto um fenómeno perigoso e que corrói as democracias”, desenvolvendo-se e tirando partido da exploração dos seus medos e inseguranças.

“É o caso de alguma extrema direita, que nos últimos anos saiu dos buracos onde se escondeu no passado. É o caso de alguns que migraram para o populismo, por mero oportunismo. Ou o caso de alguns partidos de ‘mainstream’ que incorporaram nos seus discursos parte do discurso populista, o que é particularmente perigoso, pois normaliza o populismo”, salientou, destacando, neste particular, alguns exemplos “bastante evidentes”.

“No âmbito do PPE, a nível europeu, há um partido que esteve pelo menos oito anos a ser tolerado [o Fidesz, de Victor Orbán], com posições que para além de serem de grave atentado ao Estado de Direito ou até antieuropeias, foram também posições de ataque aos refugiados e às minorias”, referiu, lembrando também os exemplos patentes de “normalização” dos populismos na governação na Áustria ou pela direita política espanhola.

Campanha da direita tem sido exemplo de instigação ao populismo

“Em Portugal temos resistido bastante a esta tendência, mas mesmo assim vemos alguns dos partidos institucionais a esboçarem tendências perigosas, como que a testar o terreno. Há poucos dias, ouvimos o eurodeputado Nuno Melo [cabeça de lista do CDS às europeias] a defender a liberalização do acesso às armas, ou com um discurso bem perigosos sobre as migrações”, acentuou o cabeça de lista do PS, lamentando ainda que a campanha que agora se iniciou para o Parlamento Europeu esteja a ser, através da exploração dos temas e do discurso introduzidos pela direita, um exemplo de instigação e apelo ao populismo.

Na opinião de Pedro Marques, para além da necessidade “de elevar a democracia”, a grande questão é refundar o modo como se governa.

“A maior resposta que a esquerda pode dar ao apelo do populismo é a forma como se governa e como se governa para as pessoas”, sustentou, lembrando que “enquanto o modelo social europeu teve força, a Europa prosperou e também, sendo mais coesa, não deu pasto a estes populismos”.

Regressar ao pacto com as classes médias

Por isso, defendeu, “é preciso regressar a esse pacto com as classes médias, a que nós chamámos um Novo Contrato Social para a Europa. O que queremos fazer está muito próximo do que foi a governação no em Portugal nos últimos anos: políticas de investimento para se criar mais emprego, políticas de redução da pobreza e das desigualdades, que são as políticas que contribuirão para resgatar o espaço das democracias junto das populações”.

“É o que tenho a expetativa que a Europa faça no futuro, recriar esses projetos de investimento com promoção efetiva de convergência e implementar o Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Se formos capazes de regressar a uma governação com resultados efetivos para as classes médias e para a redução das desigualdades, estou certo de que os populismos crescerão menos no espaço europeu nos próximos anos”, concluiu.