“Há cada vez mais portugueses obrigados a fazer contas impossíveis no final do mês” e é nestes momentos que “precisávamos de um Governo presente, capaz de aliviar os encargos das famílias e das empresas”, mas esse é um “Governo que infelizmente não temos”, sustentou o socialista durante o debate agendado pelo PS sobre medidas temporárias de mitigação do custo de vida dos portugueses.
João Torres acusou o Governo de ter encarado, “desde o início, esta crise como uma oportunidade fiscal” e assegurou que as medidas “insuficientes” que apresentou “foram tímidas e chegaram a poucos”, tendo servido “sobretudo para efeitos de propaganda”. E avisou que “a propaganda nunca resiste ao teste mais básico do confronto com a realidade”.
“O Governo tem ficado aquém das necessidades do país”, lamentou o vice-presidente da bancada do PS, admitindo que não é de surpreender, principalmente tratando-se do Executivo que “tem a mesma natureza e apoio partidário do espaço político que quis ir para além da troika, que quis cortar direitos, que quis cortar pensões e que encarou a austeridade como uma opção política”.
De acordo com João Torres, “essa matriz continua hoje bem visível, porque quando surgem dificuldades, a primeira resposta do Governo é pedir que cada um resolva sozinho os seus problemas”.
Governo de braços cruzados
No entanto, este debate não é só sobre o passado, é sobretudo sobre o futuro e “é por isso que o Partido Socialista volta a trazer à Assembleia propostas de carácter temporário, mas claras e que continuam por concretizar”, tais como “a redução do IVA dos combustíveis, o IVA zero para bens essenciais, apoios efetivos à agricultura, às pescas, à indústria electro intensiva”, enumerou o deputado.
No final da sua intervenção, João Torres comentou que “a imagem que os portugueses guardam do Governo em momentos de crise ou de dificuldade é de uma equipa de braços cruzados”, que “nunca assume responsabilidades”.