“São propostas desgarradas, sem uma linha de orientação clara”, declarou o secretário nacional do PS, falando aos jornalistas no final do encontro do PSD, em Anadia, no distrito de Aveiro.
Para Marcos Perestrello, o presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, fez “uma tentativa de um discurso do agora é que é”, mas sem que se percebesse “exatamente o que é que o Governo vai fazer”, sem “uma orientação estratégica, para além do anúncio desgarrado de algumas medidas”.
“O primeiro-ministro tem que se preocupar em governar o país, e não tanto em fazer oposição à oposição. Aquilo que vimos aqui hoje [domingo] foi o primeiro-ministro a falar. Tem falado muito nos últimos dois anos, mas infelizmente tem feito muito pouco, e a vida dos portugueses hoje não está melhor. O lema do Congresso é Portugal maior. Talvez seja Portugal maior porque não podem dizer Portugal melhor”, comentou.
De entre as medidas anunciadas pelo chefe do Governo e presidente do PSD, Marcos Perestrello referiu-se, em particular, ao que “foi anunciado para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
“Aquilo que me pareceu ouvir foi um reforço da presença da iniciativa privada no SNS, aumentar a participação dos privados na prestação de cuidados de saúde aos portugueses”, disse, evidenciando que esse caminho se tem “traduzido num enfraquecimento do SNS e numa pioria da prestação de cuidados de saúde”.
O dirigente socialista salientou ainda que o Governo não se pode “vitimizar” por não lhe serem dadas condições para governar, lembrando que das cerca de 70 propostas de lei que levou à Assembleia da República, só uma foi reprovada: o Código do Trabalho.
“E foi reprovado porque era mau”, disse.
Na ótica de Marcos Perestrello, o que há é um outro problema. “É que o Governo não funciona, as coisas no Governo não funcionam”, apontou.