No encerramento da reunião da Comissão Nacional do PS, que decorreu este domingo em Lisboa, Carlos César considerou que o entendimento alcançado entre o Governo e o Partido Socialista em torno da Prestação Social Única (PSU) não traduz uma mudança substancial na orientação política do executivo.
Pelo contrário, o dirigente socialista defendeu que a relação entre a AD e o Chega continua a marcar a atuação do atual Governo.
Na sua intervenção, César afirmou que o executivo viveu “nos últimos tempos sob sequestro do Chega” e sustentou que, apesar de ter sido “maltratado e enganado sucessivamente” pelo partido de André Ventura, o primeiro-ministro “revela inequivocamente estar tocado pela Síndrome de Estocolmo”.
“Ele no fundo gosta deles e voltará para eles”, afirmou, considerando que a aproximação entre PSD e Chega permanece como traço dominante da atual maioria.
Perante este cenário, Carlos César defendeu que a sociedade portuguesa reconhece cada vez mais a necessidade de uma alternativa assente nos valores democráticos.
“Está cada vez mais evidente que a alternativa ao extremismo não são os menos extremistas, mas sim os não extremistas. E isso reduz a alternativa ao Governo em funções ao Partido Socialista”, declarou.
O Presidente do PS destacou ainda que os debates realizados ao longo da Comissão Nacional evidenciaram “o espírito e o sentido com que o Partido Socialista está hoje na sociedade portuguesa”, sublinhando que os socialistas têm demonstrado responsabilidade e sentido de Estado na forma como se relacionam com o executivo.
“Demonstramos por isso que somos, sobretudo, a favor do bom governo e isso tem um significado na forma como estruturamos a nossa conduta e a nossa relação com o Governo da República”, concluiu.