O Secretário-Geral do Partido Socialista reuniu esta tarde com o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio de Belém, num encontro centrado nas dificuldades concretas que afetam o quotidiano dos portugueses.
Acompanhado pelo presidente do partido, Carlos César, o líder socialista levou as preocupações de milhões de famílias e as propostas socialistas para enfrentar o aumento do custo de vida, reafirmando assim a disponibilidade do partido para contribuir com soluções e destacando a necessidade de respostas urgentes por parte do Governo da AD.
À saída da audiência, o líder do PS confirmou aos jornalistas que “a reunião teve a ver, essencialmente, com as dificuldades de vida pelas quais os portugueses estão a passar”, apontando áreas críticas como a habitação, a saúde e os rendimentos.
“Essas foram as preocupações que foram objeto deste diálogo e para as quais o PS tem soluções, temos propostas e não deixaremos de continuar a apresentá-las na Assembleia da República”, indicou.
Na conferência de Imprensa, o Secretário-Geral foi perentório ao vincar, mais uma vez, a urgência de colocar no centro da ação política do executivo o combate ao aumento do custo de vida.
“Entendemos que há matérias que hoje devem estar no centro de gravidade das políticas do Governo. E esse centro de gravidade deve ser responder ao aumento do custo de vida, tomando medidas como aquelas que propusemos para reduzir os preços dos combustíveis, da eletricidade, do gás, da produção agroalimentar, e, por outro lado, responder a necessidades tão críticas como a habitação e a saúde”, defendeu.
A partir de exemplos concretos, José Luís Carneiro chamou a atenção para o impacto direto das dificuldades económicas.
“Ainda este fim de semana tive relato de pessoas que vivem na região de Fronteira, que vão a Espanha fazer o abastecimento das suas viaturas e que abastecem a níveis de custo muito inferiores, quer para transporte de mercadorias, quer para o transporte de passageiros”, referiu, frisando ser isto “o que preocupa milhões de portugueses no nosso país”.
Destacando o carácter dinâmico e gravoso da crise em curso, o líder socialista sustentou que “era importante que o Governo se concentrasse nessas que são as matérias centrais para a vida das pessoas”.
Socialistas exigem resposta energética
Questionado sobre a possibilidade de ainda haver margem para um entendimento entre o executivo de direita e os parceiros sociais em torno das alterações à legislação laboral, José Luís Carneiro reiterou a posição do partido.
“Como sempre dissemos, é importante que essa dimensão da nossa vida nacional seja tratada em sede de Concertação Social”, pontualizou.
De seguida, abordou questões relativas ao problema energético desatado com o conflito no Irão, lembrando que o PS tem vindo a alertar para os riscos que o país tinha pela frente logo no início da crise internacional.
“Desde a primeira hora em que arrancou a guerra no Médio Oriente, eu fui o primeiro líder partidário a dizer ao primeiro-ministro que nós poderíamos estar confrontados com uma crise energética equivalente àquelas que houve em outras épocas no nosso país”, recordou, criticando depois a atitude do Governo chefiado por Luís Montenegro.
“O primeiro-ministro desvalorizou no primeiro debate parlamentar, voltou a desvalorizar no segundo e voltou a desconsiderar num terceiro debate parlamentar”, deplorou, garantindo que o assunto voltará a estar em destaque no debate de amanhã, na Assembleia da República.
Tempestades: menos relatórios e mais ação imediata
Relativamente às recentes intempéries que afetaram o país, o Secretário-Geral disse estar alinhado com as preocupações do Presidente da República, vincando, porém, a necessidade de ação imediata.
“Vamos ser honestos, que é aquilo que as pessoas esperam de nós: mais do que de relatórios, as pessoas querem respostas. O Governo é perito a apresentar planos de ação”, resumiu, criticando bloqueios da ação executiva que “não resultam da falta de diagnóstico, mas sim da execução”.
Até porque, denunciou, “não é por falta de relatórios, nem é por falta de diagnósticos, nem é por falta de planos de ação”, mas sim “por falta de capacidade” para concretizar medidas eficazes.
José Luís Carneiro defendeu ainda que o essencial é garantir apoio direto aos territórios e às pessoas, sendo a prioridade imediata “fazer chegar já os recursos financeiros às autarquias, às famílias, aos trabalhadores e às empresas”.