Assinalando o 1º de Maio, o Secretário-Geral do Partido Socialista desafiou Luís Montenegro a abandonar a proposta de reforma laboral, que classificou como “ofensiva” para os trabalhadores, assegurando que o PS mobilizará todos os esforços para impedir qualquer retrocesso nos direitos fundamentais.
À chegada à celebração do Dia do Trabalhador promovida pela UGT, no Jamor, em Oeiras, o líder socialista dirigiu-se diretamente ao chefe do Governo, apelando a que retire um pacote legislativo que, criticou, “compromete a estabilidade laboral e fragiliza os mais vulneráveis”.

“Faço-lhe um apelo: deve deixar cair esta teimosia e deixar cair este pacote laboral, porque ele ofende – é ofensivo dos mais jovens, das mulheres trabalhadoras, dos mais vulneráveis e ofende particularmente as famílias portuguesas”, afirmou José Luís Carneiro, sublinhando que as propostas em causa traduzem uma inversão preocupante de conquistas históricas, ao “querer andar para trás nos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, particularmente dos mais jovens, das mulheres e das famílias”.
Na ocasião, o Secretário-Geral socialista detalhou algumas das medidas que suscitam maior preocupação, alertando que a reforma pretendida pela direita “liberaliza os despedimentos sem justa causa” e promove o aumento dos contratos a prazo, empurrando sobretudo os mais jovens para situações de maior precariedade e para condições salariais mais frágeis.
Acrescentou ainda que soluções como o alargamento do banco de horas ou o recurso generalizado ao ‘outsourcing’ contribuem para a “desproteção dos trabalhadores”, com impacto direto na capacidade de conciliar a vida profissional com a vida familiar.
Soluções laborais equilibradas e estabilidade para os jovens
A poucos dias de uma nova reunião da Concertação Social, José Luís Carneiro insistiu na necessidade de soluções equilibradas que respeitem os direitos laborais e reforcem a coesão social, contrapondo à proposta do executivo da AD uma visão centrada na valorização do trabalho digno e na garantia de estabilidade laboral.
Nesse sentido, sublinhou a importância de assegurar aos jovens trabalhadores condições que lhes permitam “programar e projetar as suas vidas”, considerando esse objetivo central para uma política laboral orientada para o futuro e para a fixação de talento.
Questionado sobre a eventual convocação de uma nova greve geral em breve, o líder do PS foi claro ao remeter essa decisão para as centrais sindicais, sublinhando tratar-se de uma matéria que se inscreve na sua exclusiva esfera de competência.
Ao longo do Dia do Trabalhador, José Luís Carneiro marcou presença em iniciativas promovidas pelas duas centrais sindicais, UGT e CGTP, num gesto de proximidade institucional e de reconhecimento do papel estruturante do movimento sindical na defesa dos direitos dos trabalhadores.
Em declarações aos jornalistas, voltou a afiançar o compromisso dos socialistas com uma agenda de progresso social, justiça laboral e valorização do trabalho, enfatizando, em diversas ocasiões, a necessidade de que a legislação laboral assegure, efetivamente, a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar das trabalhadoras e dos trabalhadores.
