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PS exige respostas ao Governo sobre acordo nas rendas

PS exige respostas ao Governo sobre acordo nas rendas

O Secretariado Nacional do Partido Socialista, reunido na terça-feira, reiterou a exigência de que o Governo da AD deixe cair o acordo celebrado com o Chega em torno da revisão da lei do arrendamento urbano, questionando ainda o executivo de Luís Montenegro sobre a existência de outros entendimentos com o partido de André Ventura.

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“O Governo deve essas respostas aos portugueses”, vincou o dirigente socialista André Moz Caldas, no final da reunião, defendendo que é necessário conhecer qual é, afinal, a estratégia do executivo e a extensão dos entendimentos estabelecidos entre AD e Chega.

O dirigente socialista criticou ainda a forma como o processo negocial decorreu, sustentando que não houve, por parte do Governo, um movimento de aproximação às posições do PS, com os socialistas a não se sentirem “bem-vindos à mesa das negociações” nesta matéria.

Para Moz Caldas, se o primeiro-ministro entende que deve dialogar com o PS, “deve retirar a proposta de autorização legislativa, procurar construir uma proposta de lei da alteração direta”, discutida “previamente com o Partido Socialista”.

Os socialistas, adiantou ainda, não excluem a possibilidade apresentar propostas no processo de especialidade. “Vamos analisar com detalhe a possibilidade de procurar, ou, no quadro dessa proposta, mas preferencialmente com iniciativas autónomas, a possibilidade de concretizarmos garantias para a relação entre senhorios e inquilinos se manter equilibrada, dando confiança aos senhorios de que podem colocar os seus imóveis no mercado de arrendamento e garantias aos inquilinos de que, se forem circunstancialmente colocados em situações de carência económica, não ficam com a sua situação habitacional iminentemente em risco”, vincou.

Estabilidade com autonomia política

A posição socialista sobre o documento orçamental para o próximo ano e a exigência de esclarecimento sobre outros eventuais entendimentos entre o Governo e o Chega são, assim, apresentadas pelo PS como questões distintas, permitindo contribuir para a estabilidade orçamental sem abdicar da sua autonomia política e da capacidade de intervenção em matérias centrais para a vida dos portugueses.

“Não empurramos o país para um precipício político, e esse é o sentido do nosso compromisso. Não é outro”, afirmou, deixando claro que a decisão de viabilizar o Orçamento não significa um alinhamento do partido com as opções orçamentais do executivo.

Na conferência de imprensa realizada na sede nacional do PS, em Lisboa, Moz Caldas sublinhou que o documento em questão “não é o orçamento que o Partido Socialista, ou um governo do PS, apresentaria”.

Todavia, assegurou que os socialistas honram o compromisso assumido com o país e, nesse sentido, entendem que a não aprovação do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) constituiria “uma situação de instabilidade política indesejável”.

Esta é, de resto, uma decisão que já tinha sido antecipada pelo Secretário-Geral, José Luís Carneiro, depois de o primeiro-ministro ter dado garantias relativamente às condições colocadas pelos socialistas para a viabilização do OE2027, designadamente quanto à revisão constitucional.

André Moz Caldas deixou claro, por outro lado, que a posição do partido não é irrevogável e poderá ser revista em função do conteúdo concreto da proposta orçamental.

Caso surjam “medidas surpresa” que contrariem as posições políticas assumidas pelo PS, os socialistas, avisou, poderão rever o sentido de voto. Acrescentou, contudo, que não existe, de momento, nenhum indício nesse sentido.

O PS afirma, deste modo, uma distinção clara entre a responsabilidade de evitar um cenário de instabilidade política, e a avaliação política das opções do Governo da AD que considere erradas para o país e para os portugueses.

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