“Eu não vejo como é que a Europa possa enfrentar os desafios do futuro que não seja com o reforço das relações com África”, afirmou o líder do PS, durante o debate “Portugal-Moçambique: Diálogo, Cooperação e Desenvolvimento”, realizado esta segunda-feira, em Lisboa.
Perante o crescimento da população africana e as dificuldades demográficas europeias, o Secretário-Geral defendeu uma abordagem que articule a regulação dos fluxos migratórios com o investimento na educação, na formação e na qualificação das novas gerações.
“Tem de se encontrar um mecanismo de complementaridade de regulação de fluxos que tem de estar articulado com os domínios da formação, da educação, da qualificação, precisamente preparando as novas gerações para os desafios que se colocam”, sublinhou.
A cooperação entre os dois continentes assume igualmente importância no acesso a recursos essenciais para a indústria europeia, com José Luís Carneiro a destacar os recursos energéticos e as terras raras existentes em África, bem como a relevância de matérias-primas para setores como a defesa e a aeronáutica.
“Todos os materiais de platina, que são 75%, estão em África, e são fundamentais para toda a indústria europeia de defesa ou de aeronáutica”, afirmou.
A saúde, a biotecnologia e a economia dos oceanos, incluindo a economia do mar, foram outras das áreas apontadas pelo líder socialista como oportunidades para aprofundar as relações económicas e científicas entre os dois continentes.
O eixo Portugal–Moçambique
A importância desta aproximação encontra expressão nas relações entre Portugal e Moçambique, país que José Luís Carneiro considera estratégico no contexto da África Austral.
O Secretário-Geral do PS destacou o investimento de empresas portuguesas e de instituições ligadas à promoção da cooperação no mercado moçambicano, nomeadamente nas infraestruturas, nos transportes, na mobilidade e na energia.
“Moçambique é um país de grande importância estratégica em toda a África Austral”, salientou, defendendo também a importância de um compromisso permanente com a consolidação da democracia e com a obtenção de resultados concretos na vida das populações.
O debate realizado na Fundação Mário Soares e Maria Barroso contou com a participação do antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e do antigo chefe de Estado moçambicano Joaquim Chissano, num painel moderado por Jamila Madeira, numa iniciativa que permitiu ainda refletir sobre a transição democrática em Moçambique, a consolidação da paz e o papel do diálogo e da cooperação no desenvolvimento dos dois países.