“Este Governo convive muito mal com a liberdade de imprensa”, criticou Eurico Brilhante Dias, em declarações à comunicação social, admitindo que o Partido Socialista acompanha “com grande preocupação as notícias em torno do instrumento de monitorização da atividade dos jornalistas, que pode vir mesmo a criar um ranking de jornalistas”.
O presidente do Grupo Parlamentar do PS comentou que o que se sabe é que o Governo contratou esta empresa e ontem mesmo, depois de uma declaração do Partido Socialista, “terá procurado esclarecer dizendo que a informação recolhida pela Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros não seria entregue aos gabinetes ministeriais”.
Estranhando esta justificação, Eurico Brilhante Dias questionou para que serve então este contrato se a Secretaria-Geral contratou um serviço e depois não o irá distribuir pelos gabinetes ministeriais, principalmente quando estão em causa 40 mil euros de dinheiro público.
“Aquilo que nos parece é que o Governo está não só a enganar a Assembleia da República, mas, acima de tudo, a enganar a comunidade e o conjunto dos portugueses”, acusou o líder parlamentar do PS, voltando a lamentar que o executivo queira “controlar a ação daqueles que, em liberdade, devem exercer o seu dever e o seu direito de informar”.
Está a ser passada uma linha vermelha
Eurico Brilhante Dias recordou que este Governo da AD “tem um passado que não honra a liberdade de imprensa”, já que tem um primeiro-ministro que “faz conferências de imprensa onde não responde aos jornalistas” e que “alterou os estatutos da agência Lusa sem diálogo interparlamentar”.
O presidente da bancada do PS refutou depois a explicação do Governo de que se trata de um “clipping moderno” em que tenta apenas conhecer notícias e opiniões. “Procura determinar a influência dos atores, da imprensa, dos jornalistas e dos opinadores no conjunto vasto das redes sociais e procura estabelecer rankings de influência para determinar quais são os pontos onde o Governo e o partido do Governo devem ter influência”, assegurou.
“O Partido Socialista considera que está a ser passada uma linha vermelha no que diz respeito à liberdade da imprensa”, asseverou Eurico Brilhante Dias.