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Oportunismo político e demagogia

Oportunismo político e demagogia

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Acção socialista

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Órgão Nacional de Imprensa

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Opinião de:

Ao enviarem os dados dos organizadores da manifestação à embaixada da Rússia, os serviços da Câmara de Lisboa cometeram um grave erro. O presidente da Câmara reconheceu-o de imediato, pediu desculpas públicas, mandou corrigir os procedimentos e realizar uma auditoria para apuramento do que se passou. É assim que procedem os políticos responsáveis. Devia ser sempre assim. Em democracia, seria expectável que uma oposição decente aguardasse o resultado da investigação antes de tirar conclusões precipitadas.

Como já vem sendo hábito, a direita, que não brinca em serviço quando se trata de atacar o PS e seus representantes, agarrou-se ao caso e, de forma organizada, não mais o largou. Primeiro, saltaram indignados os líderes do PSD e do CDS. Francisco Rodrigues dos Santos, com a imprudência que o caracteriza e sem cuidar do valor das palavras, viu no caso “um ato de terrorismo político e de subserviência”, no que foi indiretamente desmentido pelo vereador centrista, João Gonçalves Pereira, quando admitiu que Fernando Medina não saberia do envio dos dados. Depois, veio o candidato da direita a Lisboa. Na falta de uma ideia para a cidade e para fazer prova de vida, Carlos Moedas desdobrou-se em declarações, chegando ao ponto de se enredar numa situação caricata. A seguir vieram os analistas e comentadores de serviço porque é preciso manter o assunto na agenda mediática. E, para não faltar a vertente externa, vieram os eurodeputados, que, aproveitando o momento em que Portugal exerce a presidência do Conselho da União Europeia, não hesitam em denegrir a imagem externa do país para atacar o PS. Prática recorrente desde que Paulo Rangel e Nuno Melo chegaram ao Parlamento Europeu em 2009.

Nada de novo. Há quem seja capaz de tudo para chegar ao poder.

O facto de ser uma prática herdada dos extintos Governos Civis não retira gravidade ao caso, tanto mais que Vladimir Putin não é propriamente um paladino dos direitos humanos. Mas falar de “delação”, como fez José Rodrigues dos Santos, além de ofensivo, é ultrapassar a fronteira da informação que se exige num telejornal. O jornalista teve uma boa oportunidade para lembrar que Fernando Medina recebeu Svetlana Tikhanovskaia nos Paços do Concelho, na sua passagem por Lisboa, depois de ela se ter candidatado contra o ditador da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, protegido do Kremlin. Sabe o jornalista, e sabem os que se apressaram a crucificar o edil de Lisboa, que Fernando Medina, nos seus comentários televisivos, tem feito o que muitos não fazem: denunciar as atitudes antidemocráticas de Putin. Ninguém é ingénuo. Pelo que se conhece e pelo que se pode inferir da capacidade dos Serviços de Informação russos, alguém acredita que foi através deste deplorável erro que o regime russo acedeu aos dados dos três ativistas?! Alguém duvida de que Putin tem sinalizados e bem identificados todos os seus opositores onde quer que eles residam?!

Ao denunciar o oportunismo político e a demagogia da direita, não pretendo menorizar o sucedido. De modo algum! Mas não esqueço os versos de Sophia, “O demagogo diz da verdade a metade/ E o resto joga com habilidade/ Porque pensa que o povo só pensa metade/ Porque pensa que o povo não percebe nem sabe”.

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