Falando à entrada de uma reunião na AED Cluster Portugal – Associação Aeronáutica, Espaço e Defesa, em Lisboa, José Luís Carneiro salientou que Portugal “perdeu posição em 57% dos seus mercados externos”, considerando que é uma demonstração de que a “economia nacional está a perder competitividade na comparação com outras”.
No âmbito da reunião de trabalho mantida com o Conselho de Administração da AED, o líder socialista lembrou que Portugal está a receber seis mil milhões de fundos europeus para a defesa no âmbito do programa SAFE [Instrumento de Ação para a Segurança da Europa] que “deveriam contribuir para a industrialização, modernização e transformação da sua estrutura industrial”, notando, contudo, que o país está optar por “comprar ao estrangeiro, o que significa que o dinheiro chega a Portugal e volta a sair de Portugal para os fornecedores”.
“Estamos a perder uma oportunidade única para, no prazo de 10, 12, 14 anos, transformarmos a nossa infraestrutura industrial, que seria indispensável para garantir não apenas a fixação dos quadros mais qualificados do país, dos jovens mais qualificados, mas particularmente para garantir um contributo para o crescimento da nossa economia”, lamentou.
José Luís Carneiro comparou os seis mil milhões de euros do SAFE a cerca de 25% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), considerando tratar-se “talvez o maior volume de investimento em defesa que se faz nas últimas décadas, talvez o maior de sempre”.
Dando o exemplo da compra de novos caças, numa corrida disputada entre norte-americanos e europeus, o líder socialista defendeu que Portugal deve deixar de discutir apenas “do lado da oferta” e sobre o que os outros países têm para vender e passar a perguntar como pode integrar a indústria nacional nas cadeiras de produção.
“Mais do que estamos a discutir, se é a aeronave A, se é o meio marítimo B, se é o fornecimento de determinadas componentes da nossa indústria nacional, aquilo que nós queremos dizer é que devemos aproveitar esta oportunidade para modernizar a nossa infraestrutura económica”, afirmou.
É desta forma, sublinhou José Luís Carneiro, que Portugal pode afirmar um “modelo de crescimento económico que incorpora inovação e desenvolvimento, tecnologia, planeamento, formação e qualificação dos recursos humanos”, que distingue a visão económica e social que o PS tem para o país, apostado na afirmação internacional das empresas portuguesas, na capacitação industrial e na criação de emprego altamente especializado.