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Carta de Abril

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O “Ação Socialista” é o jornal oficial do Partido Socialista, cujo(a) diretor(a) responde perante a Comissão Nacional. Foi criado em 30 de novembro...

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Caras Mulheres Socialistas,

Camaradas e amigas,

Hoje é um dia especial, é o dia daquela madrugada esperada, o dia inicial inteiro e limpo de que Sophia nos falava.

Celebrar Abril é celebrar a Igualdade, esse nobre princípio constitucional, para que ninguém fique para trás, e acabar com sofrimento humano. É celebrar a Liberdade de mudar e decidir e escolher os destinos do país. É recordar vidas de luta e de resistência. É recordar as mulheres que viveram pela Liberdade, tantas vezes esquecidas pela história, mas que estiverem sempre lá, em momentos únicos e decisivos. Discursaram, aderiram a causas, correram riscos, foram condenadas, sofreram incompreensões, injúrias e agressões, mas lutaram sempre, sempre, pela Emancipação, pela Educação e pela Liberdade.

Celebrar Abril é manter bem viva a memória e os legados de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher portuguesa, pioneira na Europa, a conquistar o direito ao voto. É recordar Maria Lamas e as Mulheres do meu País. É lembrar as três Marias e as Novas Cartas Portuguesas censuradas, por terem conteúdos atentatórios da moral pública, e só não julgadas porque Abril aconteceu. É manter bem viva a memória de Maria Barroso e esses momentos, em que através da poesia dita, exercia a denúncia e a participação. Os sacríficos destas mulheres não foram em vão…

Não consigo imaginar o que foi viver em ditadura como aconteceu aos nossos pais e avós e a muitas de nós. Não consigo imaginar o que seria não poder contar com um Estado Social forte, que estivesse sempre lá a apoiar pessoas e famílias na doença, na perda de empregos e rendimentos, como aconteceu agora com a Pandemia. Não consigo imaginar o que seria viver sem um Estado de Direito para assegurar os nossos direitos, liberdades e garantias.

É importante que as jovens e os jovens saibam o que andámos para aqui chegar. Saibam das batalhas duras, de resistência das nossas mães e dos nossos pais, onde muitas vezes se jogava … tudo ou nada!

Celebrar Abril é homenagear os capitães de Abril, e dizer-lhes, em nome de todas nós e do nosso PS: Obrigada!

Portugal tem hoje mais condições para projetar realidades novas do conhecimento, da inovação, dos direitos e da cidadania, para influenciar o mundo. Portugal foi e pode ser uma força de esperança e de futuro, agarrando os desafios demográficos, climáticos e a transição digital e lutando contra todo e qualquer tipo de desigualdades e discriminações.

Cumprir a Democracia e viver a Liberdade é ouvir as pessoas, estar com elas, construir proximidades, ouvir os seus silêncios e criar, como dizia Maria de Lurdes Pintasilgo, uma ação política transforadora. Cumprir a Democracia e viver a Liberdade é evitar fraturas e conflitualidades entre gerações de jovens e idosos, entre empregados e desempregados, entre patrões e trabalhadores, entre o interior e o litoral. Cumprir a Democracia e viver a Liberdade é não deixar ninguém para trás, lutar contra a discriminação, contra a pobreza, contra a violência contra as mulheres, raparigas e meninas, é lutar por uma vida, habitação e trabalho digno para todos e para todas.

O Papa Francisco ao dizer que ninguém se salva sozinho, vincou a urgência de um tempo solidário e coletivo para eliminar as desigualdades e as injustiças que minam de raiz a saúde de toda a Humanidade. Celebrar Abril é, como dizia Eugénio de Andrade, habitar a substância de um tempo novo, que todos integre e ninguém exclua, e ver mais longe e mais fundo. A política não serve para justificar inevitabilidades, serve para abrir caminhos, para fazer as pessoas mais felizes, para imprimir uma ação transformadora ao mundo e, por isso, aqui estamos!

É este o valor de Abril que temos de cumprir todos os dias!

Viva Abril!

Viva a Liberdade!

Viva a Igualdade!

 

Elza Pais
Presidente nacional das MS-ID

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