O Partido Socialista prosseguiu esta quarta-feira o processo de auscultação sobre os impactos da instabilidade no Médio Oriente na economia portuguesa e na vida das famílias, numa reunião que juntou, na sede nacional do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, representantes da agricultura, produção agroalimentar, distribuição, comércio e transportes.
O encontro permitiu recolher contributos de setores particularmente expostos à evolução dos custos de produção, das cadeias de abastecimento e dos preços dos bens essenciais, contribuindo para a preparação de respostas concretas perante a atual pressão sobre a economia.
No final da reunião, o dirigente nacional do PS João Torres apontou a necessidade de o poder político ouvir quem está diretamente confrontado com os efeitos da crise, criticando o executivo chefiado por Luís Montenegro por ter ouvido pouco os contributos dos setores económicos e sociais afetados.
“O pior comportamento e a pior atitude que pode ter um Governo nestas circunstâncias é a de negar o problema”, afirmou João Torres, defendendo que uma crise inflacionista exige capacidade para ouvir, envolver e encontrar respostas com os diferentes setores.
Apoios com responsabilidade
João Torres sublinhou, ao mesmo tempo, que o Partido Socialista defende uma resposta que combine medidas de apoio às famílias e às empresas com responsabilidade nas contas públicas.
“Há um caminho de responsabilidade”, sustentou, apontando a necessidade de adotar mais medidas para mitigar o aumento do custo de vida sem comprometer o equilíbrio orçamental e financeiro do país.
Nesse sentido, recordou que o PS volta a levar ao Parlamento, esta quinta-feira, um conjunto de 15 medidas para responder aos efeitos da crise, depois de propostas anteriores terem sido rejeitadas.
Segundo o também deputado socialista, os apoios são necessários “agora” e existe margem orçamental para os concretizar.
No que respeita ao Orçamento do Estado para 2027, João Torres deixou claro que uma eventual apresentação das medidas socialistas como propostas de alteração dependerá do conteúdo da proposta orçamental do Governo, das opções de despesa e das medidas de política nela inscritas, tendo sempre como princípio a salvaguarda da estabilidade das contas públicas.