Dirigindo uma palavra de solidariedade a todas as pessoas afetadas pela sucessão de tempestades, em particular no distrito de Coimbra, onde cerca de três mil pessoas estão a ser retiradas de casa devido ao elevado risco de colapso de um dos diques do Mondego, Eurico Brilhante Dias comentou, em declarações à comunicação social, que “vivemos momentos estranhos em que, no meio de uma situação de crise, temos a demissão do titular do Governo com a pasta da Proteção Civil”.
“No meio de uma forte tempestade e na situação de emergência que vivemos, um responsável político deve ficar até ao fim e deve executar as tarefas que lhe foram confiadas”, defendeu.
O líder parlamentar comparou a atual situação com a pandemia de Covid-19, “um momento muito duro” e em que todos os órgãos de soberania, “sem exceção, assumiram as responsabilidades, por muito duras que fossem”.
Eurico Brilhante Dias salientou que, no momento, “não está em causa a avaliação do desempenho da ministra da Administração Interna” e garantiu que haverá tempo para confrontar o primeiro-ministro com essa avaliação política e com as suas escolhas.
AR também é um órgão de soberania
O presidente da bancada socialista revelou que, “desde ontem à noite, já depois da meia-noite”, o PS “entendeu dar anuência a que o debate quinzenal de hoje fosse remarcado para sexta-feira de manhã, por entender que o primeiro-ministro”, que agora assume a pasta da Administração Interna, “deveria estar em Coimbra”.
“Devo dizê-lo que o fizemos considerando a particular situação em que está o Governo, em que o primeiro-ministro é o ministro da Administração Interna, e, em segundo lugar, porque a situação que se vive em Coimbra coloca em risco a vida das pessoas”, vincou.
Eurico Brilhante Dias reforçou que a “gravidade do momento impunha o acompanhamento dos titulares de órgãos de soberania e, em particular, do Governo e de Sua Excelência, o Sr. Presidente da República”.
Sublinhando que “a Assembleia da República é também um órgão de soberania”, Eurico Brilhante Dias esclareceu que a anuência do PS foi ao adiamento de hoje, mas também ao agendamento imediato do debate quinzenal para sexta-feira de manhã, algo que teve a concordância de todos os grupos parlamentares.
“Não devemos criar um quadro de adiamento indefinido”, avisou.