O Secretário-Geral do Partido Socialista afirmou esta quarta-feira que sente o PS cada vez mais como “o partido da esperança de uma expressiva maioria de portugueses”, sublinhando uma renovada legitimidade política após um amplo processo de escuta no terreno.
Em entrevista à SIC Notícias, o líder socialista destacou o contacto direto com milhares de cidadãos como base da sua visão política.
“Ouvi mais do que três mil pessoas por todo o país das mais diversas áreas”, referiu, acrescentando ter sentido “o desalento e o desencanto com o Governo que prometeu tudo e a todos e tem falhado em tantas áreas do nosso desenvolvimento”.
Nesse contexto, reforçou que o PS se apresenta como alternativa credível, focada nas prioridades concretas dos portugueses, nomeadamente “habitação, saúde, economia a crescer, melhores rendimentos, dignidade nas nossas condições de vida e salvaguarda dos valores democráticos”.
Questionado sobre a ausência de adversários nas recentes eleições internas, o Secretário-Geral apontou para uma significativa convergência dentro do partido, que agradeceu, enfatizando, porém, que “o PS é um grande partido plural, diverso”.
Valorizando a diversidade interna como um fator de vitalidade política, o líder socialista reeleito no passado fim de semana com 97% dos votos escrutinados evocou a história do PS, recordando figuras como Mário Soares para ilustrar que o debate interno sempre fez parte da identidade do partido e reiterando que “esse é o sal do PS”.
Na entrevista conduzida pelo jornalista Diogo Teixeira Pereira, José Luís Carneiro traçou ainda uma visão estratégica para o país, afirmando querer “garantir fundamentalmente às portuguesas e aos portugueses um país mais desenvolvido, capaz de se inserir na vida internacional, com estatuto, com prestígio, com respeito pelo direito internacional, pelos direitos humanos fundamentais”.
A par desta dimensão externa, defendeu uma economia mais robusta, “capaz de gerar riqueza e sustentar a modernização do Estado social, garantindo melhores condições de vida”.
Defesa do diálogo social
No capítulo da legislação laboral, o líder socialista voltou a criticar a condução do processo por parte do Governo da AD, nomeadamente a ausência de diálogo equilibrado com todos os parceiros.
Referindo-se à CGTP e à UGT, sublinhou a importância do pluralismo sindical.
“Não podemos considerar que há trabalhadores que estão bem representados pela UGT e desconsiderar os trabalhadores que são representados pela CGTP”, afirmou, defendendo que o diálogo deve ocorrer em sede de Concertação Social e respeitar “regras, métodos e formas” institucionais.
O Secretário-Geral do PS insistiu na centralidade da estabilidade no emprego, tanto para os trabalhadores como para a economia.
“As pessoas querem estabilidade”, disse, associando-a à possibilidade de construir projetos de vida e ao reforço da coesão social.
Recordando medidas adotadas durante a anterior governação socialista, destacou que a legislação laboral aprovada em 2023, na Assembleia da República, contribuiu para níveis históricos de emprego e investimento, defendendo que a competitividade depende sobretudo da qualificação, da inovação e de modelos de gestão modernos — e não de retrocessos nos direitos laborais.
Rumo: estabilidade e trabalho digno
Sublinhando a importância do legado recente do Partido Socialista em matéria laboral, o líder do PS fez notar que “é preciso ter consciência de que a legislação aprovada em 2023 foi um ato de responsabilidade de todos perante todos, porque nós queríamos proteger também durante a pandemia os trabalhadores mais vulneráveis por estarem fora da economia e que não eram abrangidos por lay-off por integrarem a economia informal”.
Essa resposta, vincou, revelou a capacidade do PS em conciliar justiça social com estabilidade económica, “trazendo para a esfera de proteção milhares de trabalhadores até então invisíveis”.
Já sobre as propostas em discussão pelo atual executivo de direita, o líder do PS deixou uma interrogação crítica.
“O Governo está a responder a que objetivos com esta proposta de alteração à legislação laboral?”, questionou, sustentando que os verdadeiros desafios da economia portuguesa residem noutros domínios.
Reafirmando uma visão estratégica centrada na inovação, qualificação e valorização do trabalho, José Luís Carneiro concluiu que “as questões da competitividade e da produtividade nacional têm a ver, não com a legislação laboral, mas com a incorporação de tecnologia, de trabalho mais qualificado, com modelos mais modernos e ágeis de gestão e de organização do trabalho”.