“Nunca em tão pouco tempo foi tanto dito e não cumprido, e nunca em tão pouco tempo foi tanto feito com tanto defeito. Mesmo assim, o Governo que temos continua a dedicar mais atenção à oposição ao PS e ao namoro com a extrema-direita do que à resolução de todos e de cada um desses problemas que persistem ou que se intensificam”, começou por apontar o Presidente socialista, no seu discurso perante o Congresso.
Sem deixar de lembrar ao executivo de Luís Montenegro “que é dele que depende a estabilidade política”, Carlos César afirmou que o PS “deve continuar a demonstrar querer ser parte das soluções e não apenas parte da crítica e da denúncia”.
“Enquanto for este o governo e não puder ser outro, o nosso dever é o de contribuir para que seja o menos mau possível. Tenho a certeza de que os portugueses compreenderão bem o papel que hoje escolhemos e que nos reconhecerão na sua escolha com outro papel no futuro”, disse.
Para Carlos César, o PS deve “demonstrar, que, mesmo como partido de oposição”, o que deve mover a sua ação “é sempre o bom governo de Portugal”.
“O país é que fica diminuído com os que ignoram ou se furtam a essa colaboração. E o que infelizmente está a acontecer, entre nós, é que o governo em funções, não só não é um bom governo como recusa arrogantemente a ajuda para sê-lo”, criticou, defendendo que Portugal “precisa de uma cooperação interna construtiva”.
Saudando a reeleição de José Luís Carneiro, o Presidente socialista defendeu que a liderança do Secretário-Geral do PS se alcançaram “sucessos que não estavam garantidos”.
“Reconfirmámos o PS, ao contrário do que alguns auguravam, como um grande partido nacional”, disse, aludindo às eleições autárquicas de outubro do ano passado.
Em referência às eleições presidenciais, vencidas por António José Seguro, o PS apoiou, “no tempo e no modo adequados, o candidato que se apresentou vindo da esquerda democrática, cuja vitória pessoal é também uma vitória dos democratas e uma vitória para o Partido Socialista”, salientou.
“Saudamos o nosso Presidente da República, que tem aos seus ombros a missão, que não se indicia como fácil, de defender o equilíbrio democrático, o escrutínio e o bom discernimento dos poderes políticos e o respeito pelos nossos valores constitucionais referenciais”, avisou.
De acordo com o Presidente do PS, esses valores constitucionais “são agora ameaçados por coligações negativas, surpreendentes mesmo para os democratas que se reveem nas opções da direita moderada, que podem atingir o próprio texto constitucional”.
“E perante as quais, tal como perante todos os extremismos, devemos estar atentos e o PS firme na pedagogia e na oposição”, exortou, numa referência implícita ao impasse para a eleição dos órgãos externos do parlamento, nomeadamente no que respeita à eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional.
Na sua intervenção, Carlos César preconizou ainda que o Partido Socialista não pode pensar “em voltar a merecer a confiança maioritária dos portugueses” só porque “fomos melhores em momentos do passado”.
“Só teremos essa confiança se provarmos no presente que a merecemos no futuro. Em democracia o poder é exercido por empréstimo dos eleitores. Temos de novo de provar a nossa solvência política, ou seja, que somos merecedores desse crédito”, sustentou.